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"Nunca mantive relação próxima com Cachoeira", diz Perillo em depoimento à CPI

Do UOL, em São Paulo*

2012-06-12T11:04:00

2012-06-12T13:05:50

12/06/2012 11h04Atualizada em 12/06/2012 13h05

Em depoimento à CPI do Cachoeira nesta terça-feira (12), o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), negou ter qualquer relação com o contraventor Carlos Cachoeira. "Nunca mantive nenhuma relação de proximidade com o empresário Carlos Cachoeira."

Segundo ele, a própria investigação produziu provas a favor do seu governo. "Em 30 mil horas de gravações de ligações de telefone, não havia nenhuma ligação do Carlos Cachoeira para mim, apenas uma ligação minha para cumprimentá-lo pelo seu aniversário."

"Como pode uma pessoa monitorada pela PF, [sob suspeita de ter]  influência sobre um governo não ter feito uma ligação para mim", questionou.

O governador disse ainda "que os contratos da Delta representam apenas 4% do governo do Estado, com deságio de 21%".

Ao admitir que seu nome consta em mais de 300 ligações entre o bicheiro e seus comparsas, Perillo defendeu aos parlamentares que não fosse julgado ou “responsabilizado por diálogos de terceiros”.

Segundo o governador goiano, nos últimos três anos e nas mais de 30 mil horas de gravações feitas pela Polícia Federal, ele trocou apenas uma ligação com o bicheiro, quando Perillo ligou para Cachoeira para cumprimentá-lo pelo aniversário dele.
 
“Sabem que isso é comum na vida pública, muitas pessoas, muitas vezes, tentam utilizar da proximidade [com algum político] para, de alguma maneira, levar vantagem”, afirmou o governador goiano.

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O governador tucano afirmou que “jamais“ entregou dinheiro no Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano.

Chegada tumultuada

Ao chegar ao Senado, o governador foi aplaudido por assessores e correligionários e vaiado por estudantes do Movimento Fora Marconi. Gritando palavras de ordem e usando nariz de palhaço, os estudantes acusavam os seguranças do governador de tê-los agredido. O clima ficou tenso e a Polícia do Senado colocou-se entre os dois grupos, para evitar o confronto. Os jovens, usando nariz de palhaço, entoaram gritos de "Fora, Marconi" e "Marconi, bicheiro, devolve meu dinheiro".


Compra da casa

Perillo, em seu depoimento, repetiu a versão dele sobre a venda da sua casa em um condomínio de luxo em Goiânia: fez anúncio em jornal, vendeu para o ex-vereador Wladimir Garcez. A compra, segundo ele, foi feita em três cheques, depositados na conta bancária dele e declarado em seu imposto de renda. O governador disse não saber que Garcez tinha pedido dinheiro emprestado.

“Eu recebi os pagamentos e só agora, após o depoimento do ex-vereador Wladimir, soube que ele tinha usado empréstimos de terceiros com os seus patrões. Eu já havia recebido o pagamento”, reiterou.

Perillo se mostrou indignado pelo fato de contestar a venda de um bem particular e não público. “Não vendi qualquer bem do Estado, mas um imóvel de minha propriedade particular”.

Ele fez questão de frisar que a versão é "única e verdadeira" ao mostrar aos integrantes da CPI os documentos referentes à escritura da casa, cópias do cheques, e extratos de sua conta dos meses de março, abril e maio.

Dúvidas que Perillo precisa responder

1) Quanto custou a casa onde Cachoeira foi preso?Perillo diz que recebeu do empresário Professor Walter R$ 1,4 milhão em três cheques.
Professor Walter diz que pagou R$ 1,4 milhão em dinheiro.
A PF diz que Cachoeira pagou pelo menos R$ 1,4 milhão pela casa, com cheques de uma empresa de fachada.
Parlamentares suspeitam que o pagamento, na verdade, foi feito duas vezes. E totalizava R$ 2,8 milhões.
O ex-vereador tucano Wladimir Garcez afirma que o valor pago foi de R$ 2 milhões, a diferença seria justificada pela compra de móveis (R$ 500 mil) e valor de corretagem (R$ 100 mil)
2) Quem comprou a casa do governador de Goiás?Perillo afirma que foi Walter Paulo Santiago.
Professor Walter diz o mesmo.
O ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez se diz o comprador.
A PF acredita que o negócio foi feito por Carlinhos Cachoeira.
3) Quem intermediou a compra da casa?Perillo aponta para o ex-vereador Garcez.
Professor Walter confirma Garcez e acrescenta o assessor Lúcio Fiúza.
A PF diz que o intermediário foi um sobrinho de Cachoeira.
4) Como foi o pagamento?Perillo diz que recebeu três cheques, mas não se importou em saber de quem eram.
Professor Walter afirma ter pagado em dinheiro, com notas de R$ 50 e R$ 100, aos intermediários.
Garcez declarou que os cheques foram emprestados por Cachoeira. Quando não conseguiu pagar pela casa, revendeu o imóvel a Walter.
A PF diz que o sobrinho de Cachoeira pagou por meio de uma empresa de fachada.
5) Qual era a influência de Cachoeira no governo de Goiás?Perillo diz que só conversava com o contraventor sem saber de suas operações ilegais.
Cachoeira se reserva o direito constitucional de ficar calado.
A PF afirma que o contraventor indicava membros de várias secretarias, era beneficiado em licitações e contava com tolerância da polícia.
6) Quem pagou a campanha de rádio de Perillo em 2010?Perillo diz que todos os pagamentos foram feitos legalmente.
O jornalista Luiz Carlos Bordoni afirma ter sido pago com dinheiro vivo pelo próprio Perillo. Também disse que recebeu de uma empresa de fachada ligada a Cachoeira.
7) Qual é a relação entre Perillo e Cachoeira?Perillo afirma que lidava com o contraventor como se fosse um empresário comum, ativo na sociedade goiana.
Cachoeira se reserva o direito constitucional de ficar calado.
A PF acredita que o relacionamento era próximo, embora o governador não tivesse um dos rádios Nextel oferecidos pela quadrilha a seus membros, nem tenha sido ouvido em conversas comprometedoras.

Para o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), também membro da CPI, Perillo virá “para sepultar as dúvidas e voltar o foco ao que realmente importa: as relações de Cachoeira com políticos de Brasília”. Além de Perillo e do governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz – que deverá ser ouvido na CPI na quarta-feira (13) –, grampos realizados pela PF flagraram conversas suspeitas de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM-GO) e três deputados federais.

(Com informações de Mauricio Savarese e Camila Campanerut, de Brasília, e da Agência Senado)

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