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Barbosa e Fux condenam dois ex-deputados do PT por lavagem de dinheiro, mas absolvem Professor Luizinho

Fernanda Calgaro*

Do UOL, em Brasília

11/10/2012 14h59Atualizada em 11/10/2012 16h31

O relator no julgamento do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, e o ministro Luiz Fux votaram nesta quinta-feira (11), no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília, pela condenação dos ex-deputados Paulo Rocha (PT-PA) e João Magno (PT-MG) por lavagem de dinheiro, mas absolveram o ex-parlamentar Professor Luizinho (PT-SP) da mesma acusação.

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  • Arte UOL

O ministro-relator também condenou o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto por lavagem de dinheiro e absolveu José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete de Adauto, e Anita Leocádia, intermediária dos saques feitos a mando de Rocha, por falta de provas.

O revisor, Ricardo Lewandowski, e o minsitro Marco Aurélio, divergiram em parte de Barbosa e absolveram todos os réus.

Barbosa leu trechos da denúncia que afirma que o ex-ministro recebeu propina do publicitário Marcos Valério --apontado como o operador do mensalão-- por meio de assessores e também intermediou repasses de recursos para o PTB. A defesa do réu admite que Adauto recebeu dinheiro do PT, mas foi para saldar dívidas de campanha sem saber que o dinheiro tinha origem ilícita.

Um dos saques feitos para Adauto foi no valor de R$ 650 mil, e o Banco Rural precisou entregá-lo a Simone Vasconcelos, ex-funcionária de Valério na agência SMP&B, por meio de um carro-forte.

Segundo o ministro-relator, Adauto não só se valeu do esquema organizado pelo Banco Rural, mas utilizou intermediários para fazer os saques. O cargo ocupado por Adauto "reforça ainda a conclusão de que ele tinha conhecimento da origem ilícita dos valores recebidos."

Em suma, diversamente do que foi alegado por Anderson Adauto em seu interrogatório judicial e em suas alegações finais, para Barbosa os valores não foram recebidos do diretório nacional do PT, mas do esquema de Marcos Valério e "mediante lavagem de dinheiro", afirmou Barbosa.

O ministro afirma que, embora o dinheiro fosse usado para pagar dívidas de campanha, nada muda em relação à lavagem de dinheiro.

Já sobre o Professor Luizinho, Barbosa acredita que não há provas de que o ex-parlamentar tenha lavado dinheiro do mensalão. Segundo a Procuradoria Geral da República, Luizinho recebeu R$ 20 mil das contas de Marcos Valério.

Segundo alegação da defesa, o dinheiro seria usado como caixa dois para pagar despesas de campanha para a eleição dos vereadores do PT em São Paulo.

No entendimento de ministro, não há provas de que o dinheiro repassado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e recebido pelo intermediário José Nilson dos Santos foram realmente solicitados pelo Professor Luizinho, como argumenta a defesa dele.

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