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Ex-deputado é acusado de planejar morte de desembargadora no Acre

Arquivo pessoal
Roberto Barros Filho, ex-deputado estadual, é acusado de planejar a morte de três autoridades ligadas ao Judiciário do Acre Imagem: Arquivo pessoal

Francisco Costa

Do UOL, em Rio Branco

21/11/2012 17h14

O ex-deputado estadual Roberto Barros Filho foi detido na manhã desta quarta-feira (21) por policiais civis e militares em Rio Branco, acusado de planejar a morte de três autoridades ligadas ao Judiciário do Acre.

Foi o irmão de Roberto Filho, o escrivão de Polícia Civil Gilson Nogueira Barros, que revelou detalhes do plano que seria elaborado pelo ex-parlamentar para matar a desembargadora do Tribunal de Justiça, Denise Bonfim, e o Secretário Estadual Emylson Farias. O nome da terceira pessoa não foi revelado. 

Roberto Filho foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado, da Polícia Civil, onde foi interrogado sobre as acusações. Ele se defendeu dizendo que estava sendo chantageado.

“Eu fui agredido pelo meu irmão, que me colocou uma pistola no peito e outra na minha esposa porque eu queria que ele desocupasse minha chácara, onde estava morando de favor. Ele se revoltou, nos agrediu e foi criar esse fato”, disse Roberto Filho.

Após cumprir mandados de buscas em vários imóveis de Roberto Filho, policiais encontraram um revólver calibre 38 e um rifle importado. Todas estavam sem documentação, o que pode resultar em acusação de porte ilegal de armas.

Os delegados Robert Alencar e Nilton Boscaro, que investigam a suposta trama para matar autoridades, pediram a prisão preventiva do acusado, para evitar intimidação de testemunhas e ameaças. A Justiça está analisando o pedido.

“Por enquanto há mínimos indícios de que ele teria encomendado esses crimes, e o fato será apurado aqui na delegacia”, disse o delegado Robert Alencar.

Serviço de pintura

Segundo a Polícia Civil, três pessoas já foram ouvidas na Corregedoria de Polícia Civil, há cerca de 30 dias. Nos depoimentos, afirmaram que Roberto Filho teria chamado o sobrinho, que mora em Manaus, e que já cumpriu pena por homicídio, para “fazer um serviço de pintura” em Rio Branco.

O mesmo homem teria sido levado por Filho até a frente da casa das pessoas que seriam assassinadas, e depois o suposto matador teria visto fotos das pessoas que deveriam ser executadas.

De acordo com o delegado, Roberto Filho teria feito promessas para o sobrinho depois que a ordem para matar tivesse sido cumprida “Para isso, teriam prometido comprar pra ele uma residência em Manaus como recompensa”, afirmou Alencar.

O ex-deputado, segundo testemunhas, escolheu a desembargadora Denise Bonfim porque foi ela, quando juíza criminal, que decretou sua prisão por incêndio criminoso.

Emylsom Farias, - outro marcado para morrer -, quando delegado de Polícia Civil há dez anos, pediu a prisão de Roberto Filho por envolvimento com o crime organizado no Acre. “Eu não tenho nada contra essas autoridades, e o que meu irmão está fazendo é uma armação. Não há provas sobre isso e sou inocente”, disse Roberto Filho.

Filho é preso do regime semiaberto. Ele foi condenado a cinco anos de prisão por atear fogo na própria casa para obter seguro no valor de R$ 1 milhão. A perícia dos bombeiros e da policia descobriu que o incêndio teria sido criminoso.

O laudo foi emitido há cinco anos, e ele ficou preso em cela especial durante três meses no prédio do Comando da Policia Militar do Acre.