Topo

"Quem quiser romper, que rompa. Não queremos romper com ninguém", diz Lula em reunião do PT

Carlos Madeiro/UOL
O ex-presidente Lula (à esq.) fala a militantes no Diretório Nacional do PT, em Fotaleza Imagem: Carlos Madeiro/UOL

Carlos Madeiro

Do UOL, em Fortaleza

2013-03-01T11:41:52

2013-03-01T13:56:57

01/03/2013 11h41Atualizada em 01/03/2013 13h56

Em fala de abertura da reunião do Diretório Nacional do PT, nesta sexta-feira (1º), em Fortaleza, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado aos dirigentes do partido para que tenham "paciência" e "tolerância" na política de alianças com os partidos da base governista.

Segundo Lula, o PT deve adotar a linha de unir, evitando o "fogo amigo" contra partidos aliados.

Mesmo sem citar o nome do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, Lula foi claro ao dizer que o foco do partido deve ser manter as alianças em torno da candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014.

"Há um planejamento estratégico direcional de tolerância e paciência. De entender que, se alguém quiser romper conosco, que rompa. Nós não queremos romper com ninguém. O que nós queremos é fortalecer, só que não podemos impedir as pessoas de fazerem o que é de interesse dos partidos políticos. O ideal é que a gente consolide as forças políticas que estão ajudando esse país a mudar, como está mudando", afirmou Lula, diante das principais lideranças do partido.

A relação PT-PSB estremeceu ainda mais nos últimos dias com o aumento das especulações que Eduardo Campos será candidato à Presidência em 2014.

Primeiro, o governador de Pernambuco criticou Lula por "lançar" a candidatura de Dilma e disse que o país não precisa da "rinha" entre PT-PSDB.

Depois foram os irmãos Gomes que dispararam contra Eduardo Campos. O ex-ministro Ciro Gomes (PSB) disse que o governador não tem proposta para o país. Depois, seu irmão Cid Gomes (PSB), o governador do Ceará, afirmou que Eduardo Campos deveria ser vice de Dilma.

Hoje, Lula afirmou que manter aliados na base do governo não será tarefa fácil. "Vocês estão acompanhando pelo noticiário que o que não falta é gente querendo arrumar confusão. É gente para, inclusive, tentar criar novidade dentro do nosso partido. Nós vamos partir para o nosso plano estratégico, que é a eleição da nossa presidente Dilma. 2013 é o ano da consagração da Dilma. Eu acho que este ano será mais importante até do que 2014, porque é nele que vamos consolidar a nossa presidente. Mas será um ano complicado de alianças", destacou o Lula.

Lula também citou que a "elite" brasileira vai atacar a presidente Dilma, com intuito de fortalecer a oposição.

"Eu acho que não será um ano fácil. Se alguém algum dia acreditou que a elite brasileira, sobretudo a elite política e parte dos meios de comunicação iriam aceitar a Dilma pura e simplesmente, já viram que não será assim. Nós temos que ter claro que eles vão fazer um esforço incomensurável para derrotas. E não é contra a Dilma, é contra a PT", destacou.

Uma das principais preocupações de Lula é a negação à política. "Nós estamos trabalhando num quadro onde a negação política está muito forte no imaginário popular. Negar a política significa colocar todo mundo no mesmo prato. Mas a negação da política é a margem da campanha deles. E como nós somos um partido político, mais do que ninguém, temos obrigação de defender a política. E nós queremos dar a resposta para fazer a reforma política, que eles não tiverem coragem de fazer", disse.

Depois, o ex-presidente afirmou ainda que  vai fazer "todo o esforço" para que Campos desista de uma possível candidatura.

Reunião

O diretório nacional do PT se reúne nesta sexta-feira e sábado (2) para definir estratégias políticas para 2013. Segundo o senador Eduardo Suplicy (SP), o principal objetivo do encontro é discutir a reforma política.

Em entrevista na chegada ao hotel onde está ocorrendo o encontro, o senador disse que vai defender que o partido apoie o financiamento público das campanhas, a divulgação em tempo real dos doadores e a realização de prévias com a realização de todos os partidos que compõem alianças.

Mais Política