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Ao lado de Eduardo, Dilma cobra união de aliados e diz que nenhuma força política governa só

Roberto Stuckert Filho/PR
A presidente Dilma Rousseff participa de cerimônia de entrega do trecho Floresta-Serra Talhada (PE), na companhia do governador do Estado, Eduardo Campos (primeiro homem do lado direito de Dilma) Imagem: Roberto Stuckert Filho/PR

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

2013-03-25T13:27:15

25/03/2013 13h27

Tentando passar um ideia de "paz política", o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a presidente Dilma Rousseff trocaram elogios nesta segunda-feira (25), durante inauguração de trecho de adutora em Serra Talhada (414 km do Recife). Ao mesmo tempo, os dois usaram os discursos oficiais para se cobrarem.  Dilma falou em necessidade de união, e Eduardo, em liberdade para "debater o país".

Essa foi a primeira visita da presidenta a Pernambuco em 13 meses, período em que o nome de Campos surgiu com força como candidato à Presidência. No fim de seu longo discurso, a presidente Dilma mandou um recado a Eduardo, citando que "nenhuma força política desse país" é capaz de "dirigir sozinha" os caminhos do país.

"Esse país só será um país forte, desenvolvido, se nós tivermos a determinação, a coragem de continuar por esse caminho. Esse caminho é de um país complexo, desse país com tantas diferenças, país grande e democrático. Somos uma das poucas regiões do mundo que há 150 anos vivemos em paz com nossos vizinhos. Mas sobretudo dessa capacidade de construir democraticamente uma coalizão para dirigir esse país. Nenhuma força política sozinha é capaz de dirigir um país dessa complexidade. Precisamos de parceiros, precisamos que esses parceiros sejam comprometidos com esse caminho”, afirmou.

Dilma ainda complementou:  "Nós todos aqui temos a tarefa de sustentar esse projeto de nação. E esse projeto tem duas fontes de força e energia. Primeiro é a força do povo. E segundo, é o imenso amor pelo Brasil que esses nossos parceiros têm demonstrado a esse projeto", disse Dilma.

Antes, Campos aproveitou para falar sobre a "importância" do "debate do país." "Conheço o fel da discriminação dos que não reconhecem a importância do debate, de chegarmos a consensos que possam embalar o futuro do país. Há a necessidade de respeitar as diferenças de somar aos contrários", disse.

Mas Eduardo também citou que não é hora de discutir política. "Não podemos dividir os pernambucanos e os brasileiros, que nos guiaram em tempos mais difíceis. Precisamos unir esforços, dialogar", afirmou Campos.

Elogios

Sem lembrar o Eduardo que vem circulando pelo país e fazendo críticas ao governo federal, o governador de Pernambuco fez questão de --logo início do discurso--, quebrar qualquer clima de rixa política na presidente ao Estado.

Em evento, Dilma e Eduardo Campos trocam elogios

"Minha primeira palavra, presidenta, é que Pernambuco que lhe recebe com a mesma atenção de sempre, com o respeito que lhe tributamos, desse Estado que lhe recebeu e lhe ajudou a ser presidente da República. Eu e Renata lhe recebemos com fraternidade, respeito a uma biografia que o Brasil respeita, que é a da senhora", disse Campos logo no início de seu discurso.

Campos também elogiou a parceria que vem mantendo com o governo federal no últimos seis anos, período em que é governador. "Quero agradecer desde já a parceria que temos. Muitas deles que vêm de anos, iniciadas com o grande brasileiro, que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva."

Após falar da seca e citar as ações de combate à estiagem, Eduardo voltou a exaltar a presidente. "Seja bem vinda, presidenta. Volte sempre a esse Estado que lhe respeita. Aqui a senhora não tem apenas um governador e um companheiro, mas sim um amigo de longa jornada", afirmou.

A presidente Dilma, porém, foi um pouco mais comedida nos elogios. Começou citando Eduardo Campos. "[É] Um grande parceiro, extremamente respeitado, que acompanhei de perto quando ainda era ministra, que é o nosso governador de Pernambuco Eduardo Campos", disse, para aplausos do público, antes mesmo de citar as demais autoridades presentes ao evento.

Dilma também fez questão fazer um cumprimento especial a "dona Renata", mulher de Campos. "Ela é exemplo de mulher nordestina, de luta por uma questão principal, que é a questão das crianças. Reconheço aqui, de público, que ela deu a questão das creches. Muitas coisas aprendemos com a 'dona Renata'", disse.

"Novo Pernambuco"

A presidente também lembrou do avô de Campos, o ex-governador de Pernambuco e já falecido Miguel Arraes. "Lembro sempre do imenso carinho com que ele sempre me tratou. Todos os brasileiros que lutaram pela transformação desse país têm respeito a Miguel Arraes", disse. No meio do discurso, a presidenta citou que um "novo Pernambuco" está surgindo nos últimos dez anos.

"E o governador Eduardo Campos tem um grande papel nisso, e o governo federal, tanto com Lula como minha gestão. Conseguimos uma coisa, finalmente, que a economia crescesse e atraísse indústria. E uma nova fase desse novo Nordeste. Essa parceria tem resultado efetivos, melhorando aquilo que interessa às pessoas, que querem ter emprego, oportunidade. É isso que as pessoas querem. Aí quero dizer uma coisa. Todos esses investimentos que nós fizemos em Pernambuco no Nordeste, e nossas estatais, chegamos a um volume extraordinário, R$ 60 bilhões", afirmou.

Tom das críticas sobe

Nas últimas semanas, Eduardo Campos tem deixado cada vez mais claro seu interesse em disputar a Presidência no próximo ano. Prova disso é que participa de eventos --especialmente com empresários do Sudeste (considerado o ponto fraco do governo petista)-- para aumentar a popularidades, e, ao mesmo tempo, aumenta o tom das críticas à presidente Dilma.

Eduardo não esconde mais que mudou de lado. Nas últimas semanas, ele críticou o "lançamento" antecipado da campanha de reeleição de Dilma Rousseff pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a MP (Medida Provisória) dos Portos e o mal desempenho da economia em 2012. Em  encontro com empresários paulistas, no último dia 14, ele afirmou que "dá para fazer muito mais" que a presidente Dilma Rousseff.  

No último dia 15, resolveu se encontrar secretamente com o tucano José Serra, a quem fez elogios. "Esse campo em que Serra sempre militou é um campo mais próximo do nosso campo político do que muita gente que está conosco e esteve conosco na base de sustentação do presidente Lula. Todo mundo sabe disso", afirmou o governador, na ocasião.

Campos também flerta com PTB e DEM. Nas entrevistas, porém, ele despista quando o assunto é candidatura e deixa sempre claro que não vai lançar seu nome em 2013.  "Este é um ano complexo para o Brasil, que não precisa de ninguém agora montando palanque, nem daquela velha rinha discutindo o passado, coisas que não dialogam com a pauta do povo. Não é possível eleitoralizar a política brasileira tanto assim. Essa é minha opinião", disse em Gravatá (90 km do Recife), no último dia 21 de fevereiro.

Eduardo Campos no Poder e Política
Eduardo Campos no Poder e Política
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"Amigo"

Já Dilma tem evitado falar sobre 2014. as últimas visitas que fez ao Nordeste evitou dar entrevistas coletivas e não citou Eduardo Campos nenhuma vez.  Coube então ao ex-presidente Lula comentar que vai tentar demover Campos da candidatura cada vez mais sólida. 

"Todo sabe que sou muito amigo do Eduardo. O meu papel é tentar fazer todo o esforço para que a gente fique junto. Eu não conversei com Eduardo esse ano, teve a questão das férias. Mas agora vou voltar a conversar. Eu acho que nós temos de construir uma aliança muito forte. O Eduardo é uma personalidade que pode desejar qualquer coisa nesse país", disse no início do mês, em Fortaleza, durante encontro do Diretório Nacional do PT.

Pesquisa

As constantes aparições na mídia nos últimos dias tiveram impacto na corrida pela sucessão dos dois prováveis candidatos à Presidência, especialmente para o governador pernambucano, que, aos poucos, vai ganhando "fama" pelo país. 

Segundo pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (22), Dilma cresceu nas intenções de voto. A presidente chegou a 58% das intenções (contra 54% da última pesquisa, em 12 de dezembro de 2012). Já Eduardo Campo oscilou dentro do limite da margem de 4% para  6%.

Marina Silva (Rede) e Aécio Neves (PSDB) também oscilaram dois pontos percentuais para menos e agora têm 16% e 10% das intenções de voto, respectivamente.

 

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