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Ataques à oposição e à imprensa marcam evento do PT em Porto Alegre

Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo
A presidente Dilma Rousseff e seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, participam de evento em homenagem aos dez anos de mandato do PT na Presidência da República, em Porto Alegre (RS) Imagem: Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo

Do UOL, em Porto Alegre

2013-05-14T22:37:00

14/05/2013 22h37

O seminário PT "10 Anos de Governo", realizado na noite desta terça-feira (14) em Porto Alegre, foi marcado por ataques à imprensa e à oposição. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram reunir cerca de mil pessoas num teatro de Porto Alegre para lançar extraoficialmente a campanha à reeleição em 2014. Mesmo que a presidente não tenha citado em nenhum momento que será candidata, Lula e outros políticos presentes ao ato salientaram a necessidade de um segundo mandato para consolidar as “conquistas sociais” do projeto petista.

Num discurso cheio de críticas à imprensa e à oposição, Lula disse que a mídia primeiro apostou numa briga entre ele e a presidente, depois “inventou” candidaturas contrárias a Dilma e, como nada deu certo, tenta agora manipular a opinião pública com críticas às conquistas do governo.

“Eles [a mídia e a oposição] vivem exilados dentro do Brasil. Não estão compreendendo o que está acontecendo no país. Por isso estamos caminhando fortemente para que Vossa Excelência seja presidente por mais quatro anos”, disse Lula, em referência a Dilma.

A presidente, que chegou duas horas depois de iniciado o seminário, quarto evento desse tipo realizado no país, fez um discurso técnico e cheio de referências à América Latina, à África e aos Brics. Também defendeu as políticas sociais do governo e criticou a oposição, a quem chamou de “especialistas em pessimismo”.

“Fazem o papel de pessimistas sistemáticos. Ao contrário deles, a visão sobre o Brasil é muito mais realista porque percebe o imenso potencial que temos. Fomos o país que durante a crise mais emprego criou no mundo, fato reconhecido pelo FMI. Um dos pratos prediletos de crítica é a fragilidade da Petrobras. Mas é extraordinário que [a estatal] tenha captado US$ 11 bilhões no mercado internacional a taxas baixas, o que é um reconhecimento à força da Petrobras”, opinou.

Sem empolgar a plateia, Dilma também criticou as notícias de que haveria falta de energia no país e garantiu geração suficiente para 2013 e 2014. Além disso, garantiu que todos os estádios para a Copa do Mundo estarão prontos antes do prazo.

“Diziam que não ia ter estádio pronto. Pois serão seis na Copa das Confederações, entregues antes do prazo. Agora ninguém mais fala nisso. Todos os estádios, todos os aeroportos, todas as obras vão aparecer. Asseguro que faremos uma das melhores Copas do Mundo”, prometeu.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, foi mais enfático na crítica à imprensa. Segundo ele, o PT e seus aliados precisam buscar uma nova correlação de forças em nível nacional para garantir uma reforma tributária e do sistema político e para expandir o que chamou de liberdade de expressão. Ele reivindicou a regulamentação dos artigos da Constituição de 1988 que consideram a comunicação como um direito social, “que tarda há décadas”.

“Nossa missão fundamental é a reeleição da presidente Dilma, para que consolidemos nosso segundo grande salto e tornemos determinadas conquistas irreversíveis. Considero que as opiniões não podem ser de pensamento único dos grandes meios (de comunicação) monopolizados. Não é censura, mas não há como aprofundar a democracia com os conceitos dos proprietários e dos acionistas de jornais”, discursou.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, reforçou as críticas à imprensa e também lançou a candidatura de Dilma à reeleição: "A oposição está sem rumo e sem projeto. E quando a direita está sem projeto e se vê perdida, apela para a desconstrução da democracia até com atos de força ou para a manipulação da opinião pública por meio de grandes grupos monopolistas de mídia. Tenho certeza que vamos avançar porque estamos bem liderados", afirmou. 

Investimentos na África

Mais cedo, o ex-presidente Lula afirmou, durante plenária do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul, que é necessário que o Brasil invista no continente africano.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, de 20 de março, quase metade das viagens internacionais do ex-presidente após deixar o governo foi bancada por grandes empreiteiras com interesses nos países que ele visitou.

Todos os destinos eram na América Latina e na África, regiões priorizadas no plano de política externa de Lula em seus dois mandatos.

Em seu discurso nesta terça-feira, o ex-presidente disse que é preciso estreitar o comércio com a África --ele lembrou que o mercado consumidor no continente africano é de 1 bilhão de pessoas.

"Se o Brasil não fizer, a China, por exemplo, fará", disse.

Lula defendeu investimento privados e estatais em países da África. "Tem de financiar empreendimentos na África", afirmou.

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