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Caixa admite equívoco em informação e pede desculpas sobre o Bolsa Família

Jorge Hereda, presidente da Caixa Econômica Federal - Sergio Lima/Folhapress
Jorge Hereda, presidente da Caixa Econômica Federal Imagem: Sergio Lima/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

27/05/2013 16h46Atualizada em 28/05/2013 08h27

O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, admitiu nesta segunda-feira (27) que o banco repassou informação equivocada sobre a liberação de todos os pagamentos do Bolsa Família na véspera dos boatos que levaram mais de 900 mil pessoas às agências e caixas eletrônicos para sacar os benefícios.

"Tivemos uma informação equivocada em relação à data, e isso gerou uma informação imprecisa da Caixa. Essa imprecisão só se justifica pelo momento em que estávamos vivendo. Peço desculpas a todos. Só quem viveu uma crise sabe", afirmou Hereda em entrevista coletiva em Brasília.

O presidente da Caixa disse que, ao atualizar o cadastro dos beneficiários de programas sociais, a Caixa detectou 692 mil beneficiários do Bolsa Família com dois números de identificação diferentes. O sistema da Caixa manteve, segundo ele, apenas um dos números. Para evitar problema ao beneficiário na hora de sacar o dinheiro, a Caixa liberou o pagamento de maio de todos os beneficiários, qualquer que fosse o número do cartão.

Essa informação veio a público em uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo no último sábado (25). Só depois disso o banco convocou uma entrevista coletiva para dar explicações sobre o caso e admitiu as falhas na transmissão da informação. "Tive a informação na segunda-feira (20) durante o dia [de que os pagamentos estavam sendo feitos desde o dia 17 de maio] e mandei fazer levantamento exaustivo para saber o que ocorreu", disse o presidente.

O presidente da Caixa e o vice-presidente da área de Governo e Habitação do banco, José Urbano Duarte, alegaram que a área operacional iniciou o pagamento do Bolsa Família na sexta-feira (17) para cumprir um cronograma de renovação do cadastros das famílias e que isso não era de conhecimento da diretoria.

No dia 17 o sistema permitia a liberação para todos os beneficiários. Hereda reconheceu que não teve informação de seus subordinados sobre a mudança de data. Ele argumentou que a informação equivocada ocorreu em uma situação de crise. “A Caixa não mentiu. Tivemos uma informação equivocada com relação à data em que se abriu o sistema [de pagamento]."

O presidente do banco disse que foi após uma avaliação interna que a decisão de liberar os recursos antes sem divulgação foi feita, para não “preocupar as famílias”.
 
 
Hereda disse, no entanto, que acredita que a alteração no sistema interno não teve relação com a boataria sobre o fim do Bolsa Família e afirmou que todos os pagamentos solicitados pelos beneficiários foram feitos. 
 
Ele não quis se manifestar sobre a motivação dos boatos, mas disse que foi a informação sobre o suposto fim do pagamento do benefício que levou ao corre-corre atrás do recurso. “A única coisa que faria as pessoas irem correndo [às agências] era o fato de terem medo de que isso [o programa] tivesse acabado. Eu acho perfeitamente óbvio”, declarou. "A politização não foi a falta de informação [da Caixa]. Não foi feita pela Caixa. Não estamos entrando neste mérito."
 
Hereda disse que a Caixa só percebeu que havia uma corrida às agências a partir das 13h de sábado (18h), momento que a Caixa associa à divulgação de boatos de que o programa iria acabar. O tumulto atingiu agências bancárias, caixas eletrônicos e casas lotéricas de nove Estados do Nordeste, além de Rio de Janeiro, Pará, Amazonas e Amapá. Caixas eletrônicos chegaram a ser depredados em algumas localidades. A Caixa informou que está colaborando com as investigações da Polícia Federal sobre a origem dos boatos. 
 
 
A presidente Dilma chegou a chamar os boatos de "desumanos" e "criminosos". Já a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, chegou a postar no Twitter que os rumores deviam "ser da central de notícias da oposição", depois voltou atrás. Em evento em São Paulo nesta segunda (27), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “ato de vandalismo” e “brincadeira de mau gosto” os boatos. 

Linha de investigação

 

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confirmou na noite desta segunda-feira (27) que uma das linhas de investigação da Polícia Federal sobre os boatos do fim do Bolsa Família se baseia em uma testemunha no Rio de Janeiro que disse ter recebido um telefonema com a informação de que o programa iria acabar.

 

“Se é uma empresa, se não é uma empresa, se é de telemarketing, isso está sendo objeto de investigação”, afirmou em entrevista coletiva.

 

Segundo Cardozo, a informação da testemunha chegou à PF via TV Globo, que, durante uma reportagem, colheu esse depoimento.

 

“A linha de investigação por linha telefônica se origina de informações vinda da própria imprensa”, resumiu o ministro. “Não se afasta a priori a possibilidade de que houve uma ação orquestrada. Não se confirma nem se afasta [esta possibilidade]”, completou. 

 

O material, recebido pela Polícia Federal na segunda-feira passada (20), está sendo verificado. 

 

Onda de boatos
 
No fim de semana dos dias 18 e 19 de maio, boatos sobre o fim do programa Bolsa Família e sobre um suposto bônus pelo Dia das Mães provocaram pânico entre os beneficiários e uma corrida a agências da Caixa em 13 Estados. Foram sacados cerca de 900 mil benefícios, num total de R$ 152 milhões pagos somente entre sábado e domingo.
 
Segundo a Caixa, o Bolsa Família atende a 13,8 milhões de famílias, num total de 50 milhões de beneficiados. Até abril deste ano, foram pagos 52,2 milhões de benefícios, num total de R$ 7,6 bilhões desembolsados.  
 
O dia do pagamento dos beneficiários consta no cartão e segue do dia 1º ao dia 10 de cada mês. A média de recebimento por dia de pagamento é de 886 mil beneficiários nos dez primeiros dias de todos os meses. (Com as agências de notícias e com reportagem de Camila Campanerut, em Brasília, e Janaina Garcia, em São Paulo)

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