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Política

Filha de general cassado pela ditadura diz que foi estuprada ao visitar a mãe presa

Carlos Madeiro

Do UOL, em São Paulo

11/11/2013 16h24

A filha do general Euryale de Jesus Zerbini, a advogada Eugênia Zerbini, prestou depoimento durante audiência pública da CNV (Comissão Nacional da Verdade), na Assembleia Legislativa de São Paulo, e relatou os momentos de medo vividos quando foi violentada por militares.

O caso ocorreu em fevereiro de 1970, na sede da Operação Bandeirante, na Vila Mariana (zona sul), local onde sua mãe --a fundadora do Movimento Feminino pela Anistia Therezinha Godoy Zerbini-- estava presa havia poucos dias.

Já seu pai já havia sido cassado por ser um dos quatro generais a ser contrário e resistir ao golpe militar de 1964. Aos 16 anos, ela contou que foi levar roupas para mãe na sede da operação. “Ao chegar lá, me perguntaram como estava minha mãe. E eu disse: 'vocês quem devem saber'. Me arrependo. Não era para ter dito aquilo”, afirmou.

A advogada relatou que, naquele momento foi violentada. Sem apresentar detalhes, ela conta que sofreu muitos anos sem contar o caso, mas sabe que o interesse dos militares não seria com ela.

“Agora que tornei isso público, fiquei mais leve. Sei que não foi a mim, eles estavam fazendo isso para atingir meu pai e minha mãe. E eu fui um veículo que estava a mão”, afirmou.

A então adolescente disse que não teve coragem de contar o caso a familiares à época.

“Não tive coragem de falar pra ele [meu pai], não falei a minha vó. Ela estava com a outra filha presa. Ia falar para quem? Telefonar para o Rio de Janeiro? A gente fica com mais vergonha daquele que fez do que da gente”, disse.

Zerbini contou ainda que viveu momentos de horror ao deixar a sede da operação apos ser violentada. “Não sei como eu sai daquelas coisas. De repente eu estava na rua, no bairro Paraíso, e eu tinha que sair dali e lembrava: 'não olha pra trás'. Parecia um pesadelo”, explicou.

 

Mortes de presidentes

Nesta segunda-feira, em nota, a CNV informou como será a exumação do ex-presidente João Goulart, que ocorrerá na próxima quarta-feira (8), em São Borja (RS). Os peritos chegam na cidade nesta segunda-feira.

Segundo a CNV, o objetivo é tentar apurar a suspeita de que Jango não tenha morrido de um ataque cardíaco. O ex-presidente morreu em seis de dezembro de 1976, em Mercedes, província de Corrientes, na Argentina.

À época, o corpo do ex-presidente não passou por autópsia, e o único registro na certidão de óbito relata morte por "enfermedad".

Jango enfrentava problemas cardíacos havia quase uma década. A partir da década de 1980, começaram a crescer as suspeitas de que João Goulart teria sido envenenado com seus medicamentos trocados em uma ação da Operação Condor.

Outro presidente que terá a morte investigada será Juscelino Kubitschek, morto em 22 de agosto de 1976 na cidade de Resende (RJ).

Na semana passada, a CNV convocou as testemunhas da morte, que teria ocorrido supostamente em um acidente de carro, para apurar a versão de que o ex-presidente do Brasil teria sido assassinado.  

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