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Rio: coronel que revelou sumiço de Rubens Paiva pede privacidade para depor

Única prisioneira a sair viva da Casa de Petrópolis, Inês Etienne Romeu compareceu à audiência da Comissão Nacional da Verdade - Hanrrikson Andrade/UOL
Única prisioneira a sair viva da Casa de Petrópolis, Inês Etienne Romeu compareceu à audiência da Comissão Nacional da Verdade Imagem: Hanrrikson Andrade/UOL

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

25/03/2014 13h11Atualizada em 25/03/2014 16h42

O coronel reformado Paulo Malhães, que recentemente assumiu ter sido o responsável por desaparecer com o corpo do ex-deputado federal Rubens Paiva, dará o seu depoimento à Comissão Nacional da Verdade nesta terça-feira (25) no Rio de Janeiro.

Uma audiência pública da comissão sobre a Casa da Morte de Petrópolis --um dos centros clandestinos de tortura do regime militar-- acontecia no auditório do Arquivo Nacional, no centro da capital fluminense, quando o coordenador da CNV, Pedro Dallari, foi informado de que Malhães estava a caminho do local.

O militar, porém, só aceitou depor de forma reservada, sem que a imprensa e o público em geral tenham acesso. Com isso, Dallari encerrou a audiência pública e pediu a compreensão das pessoas que acompanhavam a reunião. "Nós buscamos a verdade, e o depoimento dele é extremamente importante", argumentou.

Ao chegar para depor, Malhães afirmou ter comparecido à audiência por "ordem da comissão". Essas foram as únicas palavras do militar, que necessitou de uma cadeira de rodas para ingressar no Arquivo Nacional.

Antes disso, a mineira Celina Romeu, irmã da única presa política a sair viva da Casa da Morte, a militante Inês Ettiene Romeu, relatou a angústia da família.

Saiba mais sobre a ditadura militar

Sérgio Soares, primo de Carlos Alberto Soares de Freitas, torturado e morto na Casa de Petrópolis, relatou ainda como ele e Inês conseguiram identificar o imóvel onde funcionava o centro clandestino de tortura na serra fluminense.

A residência foi identificada a partir das memórias de Inês, que esteve presa no local entre maio e agosto de 1971. Durante os 96 dias de prisão, foi torturada em sessões de espancamento, eletrochoque e violência sexual. Ela foi libertada por ter se comprometido a atuar a serviço da ditadura infiltrada na organização que integrava, a VAR-Palmares.

Ocultação de corpos

Malhães, hoje com 76 anos, foi convocado depois de trechos de seu depoimento à Comissão Estadual da Verdade terem sido divulgados. Ele será ouvido pela comissão nacional por ser "autor de graves violações de direitos humanos na Casa da Morte".

Nas 17 horas em que falou ao jornalista Marcelo Auler e à advogada Nadine Borges, o coronel reformado detalhou o método adotado para impedir que o corpo das vítimas da Casa da Morte fossem identificadas: dentes e dedos das mãos eram retirados.

O corpo ganhava um talho no ventre, para impedir que emergisse. Por fim, era embalado e jogado no rio, com quantidade de pedra calculada para evitar que o corpo flutuasse, e também não permitir que chegasse ao fundo. Além de Malhães, outros dois militares foram convocados para depor na audiência da CNV, porém informaram que não compareceriam em razão de problemas de saúde.

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