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Busca do Google associa presidenciáveis aos termos "cabulosa", "cheira" e "corrupção"

Noelle Marques

Do UOL, em São Paulo

04/04/2014 06h00

O internauta interessado em saber mais sobre os pré-candidatos à Presidência ou ao governo de seu Estado pode optar por fazer uma busca rápida na internet e tentar encontrar material a respeito. Mas ao digitar o nome do candidato no Google, o serviço de busca mais usado do mundo, por exemplo, o internauta pode se surpreender. Os dois principais nomes da oposição e a presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição em outubro, têm seus nomes relacionados a termos depreciativos. 

Segundo o Google, o preenchimento automático no campo de buscas mostra resultados sugeridos para ajudar o usuário a achar de forma mais rápida o que procura. As buscas são produzidas automaticamente baseadas, por exemplo, na popularidade dos termos buscados e as informações existentes na rede.

Entretanto, nem sempre o termo que aparece tem algum fundamento ou está ligado a uma notícia ou informação publicada, é apenas algo que foi muito buscado pelos internautas sem uma razão definida.

Para o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, políticos que se sentirem lesados podem acionar a Justiça. Segundo ele, casos como estes podem ser classificados como difamação, injúria e calúnia. “Esse tipo de crime é contra a honra. Você tem o direito de fazer isso [acusar políticos] desde que seja verdade. Se você não consegue provar, o conteúdo pode sair do ar”, afirma.

Recentemente, a Justiça de São Paulo negou dois pedidos feitos pelo senador Aécio Neves (MG),  virtual candidato do PSDB à Presidência, para bloquear buscas na internet. O nome do tucano aparece relacionado ao “uso de entorpecentes” na ferramenta. 

Mas não é só o tucano que é “vítima” das buscas: a pré-candidata do PT e presidente da República Dilma Rousseff aparece relacionada aos termos “bolada” e “cabulosa”.

Questionada pelo UOL se pretende pedir para retirar as menções do ar, a assessoria de imprensa do PT nacional não se pronunciou.

Já o também pré-candidato à Presidência pelo PSB Eduardo Campos aparece relacionado com o termo “corrupção”. Em resposta, a assessoria de Campos explica que “o termo pode ter sido pesquisado por pessoas interessadas em saber qual a opinião do presidente do PSB sobre o assunto.” A assessoria ainda disse que não tem intenção de tentar retirar esse termo da pesquisa, já que a internet é um canal aberto para debates e questionamentos.

O atual governador de Pernambuco apareceu também no Facebook. No final do mês de março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a decisão liminar que determinou à rede social de Zuckerberg a retirada imediata da página com propaganda antecipada de eventual candidatura de Campos.

A página deve permanecer ‘fora do ar’ até o dia 5 de julho, já que, segundo a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), propaganda eleitoral só é permitida a partir do dia 6 de julho do ano da eleição. A lei ainda estabelece algumas proibições, como a veiculação de qualquer tipo de propaganda paga, em sites de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, e em páginas oficiais ou hospedadas por órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Eleições 2014 na internet

O papel da internet cresce e fica mais determinante em cada ano de eleição. Para o diretor do instituto Datafolha, Mauro Paulino, esta situação em sites de buscas pode sim afetar o candidato, mas de forma restritiva.

“O uso da internet no Brasil, apesar de ter uma abrangência crescente, ainda não atinge a maioria da população. (...) Eu acho que este tipo de coisa só pode provocar um prejuízo eleitoral muito grande se atingir outras mídias também, principalmente televisão”, analisa Paulino.

Para Rollo, campanhas na internet, positivas ou negativas, não são como na TV, rádio e jornal, que a população as recebe como impacto de propaganda. Na internet, para você saber o que está acontecendo com determinado candidato, você tem que realizar vários atos. “É obrigado a tomar várias providências para que a propaganda chegue até você”, explica Rollo.

“Se alguém perder a eleição, não vai poder dizer que foi por conta disso.”, enfatiza Paulino.

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