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Conheça dez curiosidades da disputa entre Tancredo e Maluf há 30 anos

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

15/01/2015 06h00Atualizada em 15/01/2015 08h57

Em 15 de janeiro de 1985, a atenção dos brasileiros se voltou para uma votação realizada no Congresso Nacional, em Brasília. Em jogo, estava o cargo mais importante do país, a Presidência da República.

Pela primeira vez desde o início da ditadura militar, em 1964, um presidente civil seria eleito. Mas não da forma como queria a multidão que foi às ruas no ano anterior durante o movimento Diretas Já, que pedia eleição direta.

Na disputa, apenas duas chapas. Pela Aliança Democrática, de oposição, Tancredo Neves (PMDB) e, como vice, José Sarney. Pelo PDS (Partido Democrático Social), o governista, Paulo Maluf e seu vice Flávio Marcílio.

Como previsto pelos institutos de pesquisa, Tancredo saiu vencedor. Milhares de pessoas fizeram festa para comemorar não apenas a eleição de um presidente civil, mas também o fim de 21 anos de poder autoritário, de repressão e censura.

Dez curiosidades sobre embate entre Tancredo e Maluf

  • Fábio M. Salles/Folhapress

    Eleição indireta

    Tancredo foi eleito presidente da República de forma indireta, tipo de votação na qual o povo não vai às urnas para escolher seu representante. Em 15 de janeiro de 1985, 686 deputados, senadores e delegados estaduais do Colégio Eleitoral se reuniram no Congresso Nacional para definir o sucessor do presidente militar João Baptista Figueiredo (foto)

  • Estadão Conteúdo

    Maluf na frente

    O pleito teve 2h30 de duração, das 9h56 às 12h26. A votação foi feita por bancada estadual, começando pelo Norte e terminando na região Sul. Maluf (à esq.) ficou à frente no placar durante os primeiros minutos da sessão, enquanto votavam os componentes da mesa diretora e os deputados e senadores do Acre. Depois disso, Tancredo liderou o placar

  • Alessandro Shinoda/Folhapress

    Confusão

    Um deputado quase foi agredido durante a votação. O malufista Nilson Gibson (PSD-PE) se absteve de votar e por isso quase foi agredido pelo deputado e cantor Agnaldo Timoteo (PDT-RJ), tendo de sair às pressas do plenário

  • Folhapress

    Tancredo eleito

    Tancredo foi eleito por 480 votos (69%) contra 180 (26%) recebidos por Maluf. Foram registradas nove ausências --cinco do PT, duas do PMDB, uma do PDS, e de Jiúlio Caruso (PDT), que estava acidentado. Também houve 17 abstenções, entre elas a do líder do PDS na Câmara, Nelson Marchezan, que foi vaiado. Maluf não venceu em nenhum Estado

  • Estadão Conteúdo

    Festa no 344º voto

    O voto mais comemorado, mais até que o anúncio do resultado final do pleito, foi o proferido pelo deputado João Cunha (PMDB-SP), o de número 344, quantidade que corresponde à maioria absoluta necessária para conseguir a eleição

  • Estadão Conteúdo

    Dissidência derrotou Maluf

    Maluf parabenizou Tancredo, que chegou a ter larga vantagem sobre o adversário desde o início da campanha, que durou cinco meses. Dias antes do pleito, Maluf chegou a admitir a derrota. "Não adianta chorar o leite derramado", declarou. Sua derrota foi atribuída à dissidência pedessista. Até o vice do presidente João Baptista Figueiredo, Aureliano Chaves, se desligou do governista PDS

  • Jorge Araújo/Folhapress

    Críticas a Sarney

    A quantidade de votos recebida por Tancredo poderia ter sido maior, caso não fossem as críticas que setores da oposição faziam ao seu candidato a vice, José Sarney (à dir.), que havia sido presidente do governista PDS. Sarney renunciou à presidência do partido em junho de 1984. Ele defendia a realização de prévias para a escolha do candidato do partido, mas Maluf se recusou a participar

  • Folhapress

    Após discurso, povo fica sem aceno

    Após a divulgação do resultado da votação, Tancredo fez um discurso de 19 páginas e 31 minutos: "Esta foi a última eleição indireta do país; venho para realizar urgentes e corajosas mudanças políticas, sociais e econômicas indispensáveis ao bem estar do povo". Eufóricas, dezenas de pessoas suportaram chuva forte em frente ao Congresso, na esperança de ver o presidente, mas ele não deu as caras

  • Estadão Conteúdo

    Festa da vitória

    Em frente ao Congresso, cerca de 5.000 pessoas comemoraram o resultado da eleição com trio elétrico, charanga, samba, frevo, maracatu, bandeiras do Brasil, do Corinthians, Flamengo, de partidos comunistas. As pessoas gritavam "A liberdade chegou!"; "Acabou, acabou a ditadura"; "Chora Figueiredo, Figueiredo chora. Chora Figueiredo que chegou a sua hora.; "Ia, ia, ia, acabou a mordomia"

  • Estadão Conteúdo

    Aniversário de Figueiredo

    Tancredo foi eleito no mesmo dia do aniversário de João Baptista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar, período que durou 21 anos no país. Ele comemorou a data na Casa de Saúde São José, no Rio, onde estava internado por causa de uma cirurgia na coluna

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