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Dono da UTC diz na CPI que não foi pressionado a fazer delação

Do UOL, em São Paulo

15/09/2015 15h24Atualizada em 15/09/2015 17h20

O empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, afirmou nesta terça-feira (15), em audiência da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, que não foi pressionado a fechar o acordo de delação premiada com o Ministério Público.

“Colaborei com as autoridades de forma espontânea. Foi um processo gradual e doloroso”, disse o empresário, que declarou ainda que "colaborar é resultado de uma mudança, não de pressão". “Não quero me vender como herói. Esse papel não me cabe”, afirmou.

Pessoa falou por cerca de 20 minutos na abertura da audiência da CPI. O empreiteiro usou o tempo concedido pelo presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), para afirmar que o crescimento de sua empresa não estava relacionado a casos de corrupção.

O empresário voltou a afirmar, como em sua colaboração à Justiça, que fez contribuições irregulares a políticos por temer represálias nas contratações da Petrobras à sua empresa.

“Na visão que tinha à época, denunciar [o esquema] seria assinar a sentença de morte de minha empresa”, disse. "Todo empresário sabe: Pagar uma vantagem a alguém pode não render nenhum benefício, recusar-se a fazê-lo ou denunciar quem pediu a vantagem pode trazer consequências danosas. As coisas se complicam quando aqueles que pedem vantagem controlam os postos de comando de seu principal cliente", afirmou Pessoa.

No entanto, o empresário se manteve em silêncio após as perguntas feitas pelos deputados. A sessão da CPI começou por volta das 14h30 e o empresário foi dispensado às 17h15. 

Pessoa firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República no âmbito da operação Lava Jato. O empreiteiro é apontado como o chefe do cartel de empreiteiras que teria atuado nos desvios da Petrobras.

Em sua colaboração, Pessoa afirma ter doado R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma Rousseff (PT) por temer prejuízos em negócios com a Petrobras. O valor foi declarado à Justiça Eleitoral pelo partido.

Em depoimento Pessoa também diz ter entregado recursos de caixa 2 ao tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência em 2010, José de Filippi Júnior, e ao tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. O PT tem informado que todas as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral.

A defesa do empresário havia pedido ao ministro do STF, Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, que a sessão da CPI fosse fechada à imprensa. O ministro negou o pedido, mas autorizou Pessoa a permanecer em silêncio.

Nesta sexta-feira (18), Pessoa será ouvido em ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que investiga a campanha de Dilma.