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Após Lava Jato, Petrobras terá disque-denúncia 24 horas por dia, diz presidente

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

14/10/2015 16h41

O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, afirmou nesta quarta-feira (14) que a estatal terá um canal independente para receber denúncias que envolvam a companhia. O serviço será prestado por uma empresa independente, contratada por licitação, e deve estar funcionando nos próximos 30 a 60 dias.

O anúncio foi feito durante audiência da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Segundo Bendine, qualquer cidadão, funcionário da estatal ou fornecedor poderá comunicar suspeitas de irregularidades. As denúncias serão recebidas 24 horas por dia, pela internet ou por telefone no estilo 0800.

“Isso é um compromisso da empresa de que qualquer denúncia será apurada”, disse o executivo. “Isso não permitirá, com certeza, à empresa viver uma situação onde você tenha maus feitos”, disse Bendine.

Lava Jato

O presidente da estatal foi ouvido como testemunha pela CPI, que apura o esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato, da Polícia Federal. Bendine não é um dos investigados.

Bendine afirmou ainda que implementou mudanças na gestão da empresa ao assumir o cargo, em fevereiro, com o objetivo de evitar casos de irregularidades.

O executivo disse ter retirado o poder de decisão individual de diretores e do presidente da companhia, que agora terão que submeter suas decisões a um colegiado. “A partir do momento que você toma uma decisão colegiada, a gente ataca o principal problema. Aliás, foi a raiz dos problemas que a gente encontrou nessa operação Lava Jato”, afirmou Bendine.

As investigações da Polícia Federal apontaram suspeitas de que diretores da estatal cobravam propina de grandes empresas que fechavam contratos com a companhia. Há suspeitas de que ao menos parte da propina foi desviada para políticos que supostamente tinham influência na nomeação dos diretores da estatal.

A convocação de Bendine foi aprovada após requerimento de deputados da base do governo e da oposição, com o objetivo de ouvir o executivo sobre as providências adotadas para recuperar economicamente a empresa e resolver eventuais problemas de gestão encontrados na estatal.

Bendine foi confirmado como presidente da Petrobras em fevereiro, após sua indicação ser aprovada em votação do Conselho de Administração da empresa. O executivo era presidente do Banco do Brasil e deixou o cargo para chefiar a estatal.

Em junho, a Petrobras reduziu a projeção de investimentos e de produção de petróleo após ter sido atingida no ano passado pelo escândalo de corrupção investigado pela operação Lava Jato, da Polícia Federal, e após os preços do petróleo caírem no mercado internacional. Muitas das empresas fornecedoras e prestadoras de serviço da estatal estão entre as investigadas pela Lava Jato.

O corte anunciado foi de 37% dos investimentos previstos entre 2015 e 2019, em comparação com o previsto no plano de negócios anterior, de 2014 a 2018. O novo plano prevê US$ 130,3 bilhões em investimentos (R$ 498 bilhões, na cotação desta terça-feira).

Bendine substituiu a ex-presidente da estatal Graça Foster, que pediu demissão em fevereiro após desgaste provocado pelas investigações de corrupção na Petrobras e a divulgação de estimativa que apontava baixa de R$ 88 bilhões nos ativos da empresa.

Em março, em depoimento à CPI, Foster disse se sentir "envorgonhada" pelas notícias de cobrança de propina na estatal, mas afirmou desconhecer o esquema investigado pela Lava Jato quando presidia a companhia. 

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