Após julgamento do STF, líderes da Câmara pedem afastamento de Cunha

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Luis Macedo/Câmara dos Deputados

    Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, durante sessão nesta terça-feira (1º)

    Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, durante sessão nesta terça-feira (1º)

Líderes partidários usaram a tribuna da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (2) para pedir, novamente, o afastamento do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), logo após manifestação da maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de aceitar a denúncia feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro contra Cunha.

O vice-líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), foi um dos mais incisivos. "Todas as peças do quebra-cabeça vão se fechando perfeitamente a indicar que estamos sendo hoje presididos por um dos políticos mais corruptos da história do Brasil", disse Fontana.

Nesta quarta-feira, seis dos 11 ministros do STF decidiram aceitar parcialmente a denúncia da PGR contra Eduardo Cunha. O julgamento da denúncia contra o presidente da Câmara deverá terminar nesta quinta-feira (3), mas o impacto da provável aceitação da denúncia e a transformação de Cunha em réu já pôde ser sentida na Câmara. Cunha é acusado de ter recebido propina do esquema investigado pela operação Lava Jato. Ele nega as acusações.

Uma das primeiras lideranças a pedir na tribuna o afastamento de Cunha foi o vice-líder da Rede Sustentabilidade, Aliel Machado (PR). O líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), disse que não há mais condições de Cunha continuar na presidência da Câmara. "Alguns argumentam que não há previsão regimental para o afastamento do presidente, mas se a maioria dos líderes se unir pedindo a sua renúncia, ele ficará numa situação muito difícil", afirmou.

O líder do PSDB, Antônio Imbassahy (BA), disse que a saída de Cunha da presidência da Câmara poderia acelerar outro processo de afastamento: o da presidente da República Dilma Rousseff (PT). "A saída de Cunha poderá, inclusive, impulsionar aquilo que é o maior desejo dos brasileiros que é o afastamento da presidente Dilma Rousseff", disse Imbassahy.

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), classificou a situação como "constrangedora". "É constrangedor vir à tribuna e dizer isso ao presidente da Câmara, que vira as costas, que não nos enfrenta olhando no olho, e encara aquilo que deve acontecer", disse Bueno.

Além de chamar Cunha de um dos políticos "mais corruptos da história do Brasil", Henrique Fontana disse que Cunha não teria não "nenhuma condição de continuar presidindo a todos nós". "Pelo bem do Brasil, presidente Eduardo Cunha, levante dessa cadeira", disparou Fontana.

Cunha ouviu os pedidos de seu afastamento sem manifestar reação. Ao final dos discursos que pediam a sua renúncia, ele apenas encaminhava as votações. Entre os que saíram em sua defesa foi o vice-líder do governo Sílvio Costa (PTdoB-PE). "Não há previsão regimental para afastar o presidente do seu cargo", lembrou Costa.

Outro que o defendeu Cunha foi o deputado Laerte Bessa (PR-DF). "Vossa excelência não está condenado. Está apenas denunciado. E o julgamento vai demorar muito tempo", disse Bessa.

Atualmente, há dois processos que podem resultar no afastamento de Cunha da presidência da Câmara. Um deles é o pedido feito pela PGR ao STF, que deverá ser julgado pela Corte em breve. O outro é o processo por quebra de decoro parlamentar que tramita contra ele no Conselho de Ética. Na última terça-feira (1º), a maioria dos integrantes do Conselho votou pelo prosseguimento do processo contra ele. Se for condenado, Cunha pode ter o mandato cassado. 

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