"Não tenho medo de ser preso": veja o que Lula já disse sobre a Lava Jato

Do UOL, em São Paulo

As denúncias envolvendo o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm ganhado força desde o ano passado. E, nos últimos 12 meses, o petista recorreu várias vezes à imprensa para declarar inocência, bem como para se manifestar sobre a operação Lava Jato, da qual virou alvo nesta sexta-feira (4).

Em março de 2015, Lula disse durante um discurso para sindicalistas e lideranças políticas de esquerda no Sindicato dos Bancários de São Paulo que os delatores da operação Lava Jato são "bandidos que passaram a virar heróis" para os partidos de oposição e que está "indignado" com a corrupção.

Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu. Indignado com a corrupção"

Diante da abertura do inquérito do MPF (Ministério Público Federal) para investigar o suposto tráfico de influência do ex-presidente, em julho de 2015, Lula preferiu se pronunciar por meio de nota oficial enviada por seu instituto.

Entendemos que faz parte das atribuições do Ministério Público investigar denúncias e vemos isso como uma oportunidade de comprovar as legalidades e lisuras das atividades do Instituto Lula"

Postura semelhante foi adotada para falar sobre seu depoimento ao Ministério Público Federal, no dia 15 de outubro. Segundo o Instituto Lula, o petista disse que as palestras e viagens feitas ao exterior que estão sob investigação são "motivos de orgulho".

Todas as palestras feitas estão declaradas e contabilizadas, com os devidos impostos pagos, e que jamais interferiu na autonomia do BNDES e nas decisões do banco sobre concessões de empréstimos"

Lula acabou quebrando o silêncio cinco dias mais tarde, após ter sido citado por delatores da operação Lava Jato. Em discurso em Teresina, o ex-presidente afirmou que apesar de o país viver um momento de "ódio", é preciso ter calma e assegurou que dorme com a "consciência tranquila".

Estamos vivendo um momento inusitado, de ódio nesse país. As pessoas não precisam nem ser julgadas: as manchetes dos jornais condenam antes de saberem se tem um processo contra eles. Muita gente fica nervosa, irritada, e nesse momento é que nós temos que ter calma e perguntar por que isso está acontecendo no Brasil. Qual culpa tem o governo, qual é a culpa que tem o PT?"

Já na reunião do Diretório Nacional do PT, em 29 de outubro, o petista aproveitou o discurso para se defender e fazer críticas às investigações da Polícia Federal e do Ministério Público que envolvem seus familiares e afirmou que vai "sobreviver" à fase de adversidades.

Eu não sei se eles [oposição] sobreviverão com a mesma credibilidade que eles acham que têm, mas eu vou sobreviver"

Com o aquecimento das denúncias contra o petista e seus familiares, em novembro, Lula afirmou em entrevista exclusiva ao SBT Brasil, que não tinha medo de ser preso.

Não temo ser preso porque eu duvido que alguém nesse país, do pior inimigo meu ao melhor amigo meu, do pequeno ao grande empresário, que diga que algum dia teve alguma conversa ilícita comigo. Eu tenho a consciência limpa"

Em dezembro, o discurso de defesa deu lugar ao de ataque e dessa vez direcionado ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na época, investigado por participação no escândalo da Lava Jato. As acusações teriam sido uma represália ao acolhimento do pedido de impeachment pelo pemedebista.

Prefiro não dar palpite em questões que envolvem o Judiciário. Tem muita gente sendo investigada. A gente quer que os inocentes sejam inocentados e que os culpados sejam julgados. Cunha não deveria colocar os interesses dele à frente dos do país (...) Não podemos depender só os do presidente. Ele está pensando nele, não no país. Há 513 deputados. Eles querem o bem do país"

No vídeo em homenagem aos 36 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores, divulgado no dia 10 de fevereiro, aparentemente abatido, o ex-presidente reconheceu que o partido cometeu erros, mas disse que o PT é o partido "mais importante da política brasileira".

É certo que cometemos erros, e quem comete erros paga pelos erros que cometeu"

Alvo de investigações do Ministério Público Estadual e da Operação Lava-Jato sobre um apartamento no Guarujá e um sítio em Atibaia (SP), Lula teria voltado a se defender dois dias mais tarde durante reunião do conselho consultivo da presidência do PT, segundo relato de conselheiros. 

Não aguento mais falar disso. O Luiz Marinho vai lá em casa e só quer falar disso. Chego no Instituto para trabalhar e só falam disso. Não aguento mais"

Na festa de aniversário do PT, em 27 de fevereiro, Lula afirmou que aceita a quebra dos sigilos bancário e telefônico para esclarecer as suspeitas sobre o apartamento tríplex de Guarujá, no litoral de São Paulo, e o sítio em Atibaia.

Eu aceito até que quebrem meu sigilo bancário, telefônico. Se for esse o preço, que seja. Mas, quando isso acabar, quero que me deem um apartamento e uma chácara"

Ao encerrar o discurso, o ex-presidente disse ainda que "lavou a alma" com os colegas de partido ao falar sobre as denúncias e sobre as perspectivas do PT daqui para frente.

Quero dizer que agora é pão, pão, queijo, queijo. Acabou o 'Lulinha Paz e Amor'. Acabou, para dar a resposta que eles merecem"

O último posicionamento do petista, antes do mandado de condução coercitiva contra ele, foi em 1º de março, por meio de sua defesa. O discurso foi um ataque à Operação Lava Jato, que a classificou de "uma atuação midiática".

Essa força-tarefa trabalha claramente com as forças das palavras em detrimento dos fatos para ganhar espaço na imprensa e promover publicidade opressiva"

Na tarde desta quarta-feira, o ex-presidente deu uma coletiva à imprensa sobre seu depoimento à Polícia Federal. Ele reclamou por ter sido levado em condução coercitiva ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele afirmou que, em outra ocasião, chegou a suspender as férias, em janeiro, para ir a Brasília conceder um depoimento a pedido da Polícia Federal.

Era só ter mandado eu vir. Sempre fui prestar esclarecimento, porque não devo e não temo. Lamentavelmente, acho que estamos vivendo um processo em que a pirotecnia vale mais que qualquer coisa. Vale mais o show midiático do que a apuração séria, responsável"

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