Com medo de protestos, defesa de Bumlai desiste de depoimento de Lula

Do UOL, em Brasília

  • Rodolfo Buhrer/Paraná Portal

    O pecuarista José Carlos Bumlai é levado para complexo penitenciário no Paraná

    O pecuarista José Carlos Bumlai é levado para complexo penitenciário no Paraná

Com medo de protestos, os advogados do pecuarista José Carlos Bumlai anunciaram nesta sexta-feira (11) que desistiram de ter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como testemunha de defesa no processo que investiga irregularidades em empréstimos contraídos por Bumlai junto ao Banco Schahin. "Com esse clima de radicalização, a ida de Lula ao fórum para prestar depoimento poderia causar muito tumulto", afirmou Arnaldo Malheiros Júnior, um dos advogados de Bumlai. Lula acabou prestando esclarecimentos por escrito nos quais Lula chamou Bumlai de "homem de bem e honesto".

José Carlos Bumlai é investigado pela Operação Lava Jato por ter contraído empréstimos juntos ao Banco Schahin em 2004. Ele confessou ter feito empréstimos no valor de R$ 12 milhões no banco e repassado o valor para campanhas do PT. As suspeitas são que empresas do grupo Schahin tenham recebido contratos fraudulentos com a Petrobras, controlada pelo PT, como forma de pagamento pelo dinheiro repassado por Bumlai, que está preso desde novembro de 2015 em Curitiba. 

Lula havia sido apontado pela defesa de Bumlai como testemunha de defesa no processo e o depoimento do ex-presidente estava marcado para a próxima segunda-feira (14). O advogado do pecuarista, Arnaldo Malheiros Filho, disse que a desistência de ter Lula como testemunha aconteceu devido aos últimos acontecimentos envolvendo Lula.

"Nós vamos ter manifestações no domingo e não sabemos como o país vai estar na segunda-feira. Então a gente acha que o melhor é evitar tomar qualquer risco. Do jeito que está, se ele fosse, iria mais atrapalhar que ajudar", disse Arnaldo Malheiros, referindo-se às manifestações programadas por grupos contrário ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e a Lula para o próximo domingo (13).

O advogado afirmou que a decisão foi acertada depois de uma conversa com os defensores do ex-presidente Lula. "A gente conversou com eles [os advogados de Lula] e entendemos que era a melhor coisa a fazer", disse Malheiros.

O clima de tensão em relação ao ex-presidente Lula se acirrou no dia 4, quando ele foi conduzido coercitivamente pela PF (Polícia Federal) para prestar depoimento no âmbito da Operação Lava Jato. De acordo com os procuradores da investigação, Lula é um dos principais beneficiários dos crimes cometidos contra a Petrobras. Enquanto ele prestava depoimento no aeroporto de Congonhas, grupos pró e contra Lula se enfrentaram nas ruas de São Paulo.

Na última quinta-feira (10), o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) pediu a prisão preventiva de Lula após oferecer denúncia contra ele e membros de sua família pelo crime de lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de ser o dono de um apartamento tríplex reformado pela OAS, uma das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. Lula nega as supostas irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato e pelo MP-SP. 

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