Processo de impeachment

Marina diz que Lula é "combustível da crise" e que PT e PMDB são irmãos siameses

Do UOL, em São Paulo

  • Juca Varella/Folhapress

    Para Marina Silva, o PMDB atuou como "irmão siamês" do PT durante 12 anos

    Para Marina Silva, o PMDB atuou como "irmão siamês" do PT durante 12 anos

Líder na última pesquisa Datafolha de intenção de voto para a sucessão presidencial, a ex-senadora Marina Silva (Rede) afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se tornou o "combustível da crise".

Em entrevista publicada nesta terça-feira (22) ao jornal "Valor Econômico", Marina afirma ter receio de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff "crie a aura de que as coisas já foram resolvidas", o que poderia levar ao "arrefecimento" da Lava Jato.

A ex-senadora disse ainda que Lula se tornará uma espécie de "primeiro-ministro" do governo Dilma. "Estamos em um sistema presidencialista, e na prática, foi instituído uma espécie de sistema parlamentarista com a figura do primeiro-ministro [Lula]. Um parlamentarismo sem o Parlamento. No começo eu achava que era um paliativo, mas com tudo o que aconteceu, virou um combustível para a crise", declarou.

Para a ex-senadora, isso não vai atenuar os problemas enfrentados pela presidente. Ela diz acreditar que o impeachment é "uma realidade que está posta", mas apresenta ressalvas e diz preferir novas eleições.

Em outra entrevista, para o jornal "O Estado de São Paulo", a ex-senadora criticou o PMDB, a quem chamou de "irmão siamês do PT".

Para Marina, uma possível parceria entre o atual vice-presidente Michel Temer e o PSDB para governar o país não resolveria a crise política. "Dentro do governo há muitos que estão querendo atrair de novo o PMDB. Dentro do PSDB, outros querendo se unir ao PMDB", disse Marina ao "Estado de São Paulo".

"O PMDB, durante 12 anos, como irmão siamês do PT, indicou diretores para a Petrobras e tomou decisões políticas que nos levaram à crise", disse Marina.

Favorita nas intenções de voto

A ex-senadora Marina Silva ficou em terceiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial de 2014, pouco atrás do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que disputou o segundo turno com Dilma. Foi a segunda disputa presidencial na qual Marina concorreu.

Segundo pesquisa do Datafolha, divulgada no domingo (20), Marina Silva aparece em primeiro lugar das intenções de voto, entre 21% e 24%. A ex-senadora não falou sobre os resultados da pesquisa, mas disse ao Valor que, se for eleita, não tentará um segundo mandato, mesmo que fique apenas dois anos no cargo.

Marina também acredita que novas eleições sejam a melhor alternativa para a crise política do Brasil. "O TSE é o caminho de uma possibilidade de repactuar os rumos da nação, de devolver aos 200 milhões de brasileiros a possibilidade de corrigir o erro que foi induzido a cometer", disse Marina ao Valor Econômico.

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