Processo de impeachment

O futuro político de Dilma está nas mãos de quem?

Fabiana Maranhão

Do UOL, em Brasília

  • Evaristo Sá/AFP

    A presidente Dilma Rousseff

    A presidente Dilma Rousseff

O processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff anda a passos largos na Câmara. Se o ritmo atual for mantido, e os deputados votarem pelo impedimento, é provável que a ação avance da comissão especial, passe pelo plenário da Casa e chegue ao Senado ainda em abril.

Lá, se os senadores se manifestarem a favor da saída, Dilma será afastada da presidência por seis meses até o Senado tomar a decisão final.

O roteiro dessa história não é definitivo e pode mudar com o desenrolar dos acontecimentos, principalmente à medida que avançam as investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato, que apura um grande esquema de corrupção na Petrobras.

Mas será que esse script pode ser alterado? Quem pode reescrevê-lo? Nas mãos de quem está o futuro político de Dilma Rousseff? O UOL conversou com cientistas políticos em busca de respostas para essas questões.

Lula

Para Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político da FGV (Fundação Getúlio Vargas), "o criador" é quem poderá salvar a criatura. Ele se refere ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que convenceu seu eleitorado de que a então ministra-chefe da Casa Civil seria a pessoa que daria continuidade ao seu governo.

"Ela só conta com a habilidade do próprio Lula, dentro de todas as limitações dele", avalia Teixeira. A imagem do antecessor de Dilma sofreu desgaste durante a batalha que tem sido travada entre Planalto e Justiça em relação à posse de Lula como ministro-chefe da Casa Civil. 

Perguntado se haveria outro nome que poderia ajudar a presidente a se livrar do impeachment, o cientista político foi categórico: "[Além dele,] não vejo ninguém".

Teixeira diz enxergar um futuro "sombrio" para Dilma, mesmo contando com a ajuda de seu padrinho político. "O futuro é sombrio porque aquele que emprestou prestígio a ela tem tantos ou mais problemas que ela", analisa.

Dilma e Lula tiveram seus nomes citados na delação premiada firmada entre o ex-líder do governo Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e a força-tarefa da Lava Jato.

Dilma

Com o desgaste da imagem de Lula, que outra figura do cenário político atual poderia socorrer a presidente? "Se alguém pode, certamente não é ninguém que não seja ela mesma." A opinião é de Carlos Melo, cientista político e professor do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa).

"Lula está enfraquecido, o PT está enrascado. Quem pode agir é ela própria. Ela é quem precisa encontrar uma saída", afirma.

Melo enumera quatro grandes desafios que Dilma tem pela frente: estancar a Lava Jato, dar uma resposta à operação, alavancar a economia e retomar o controle do processo político no Congresso. Tudo isso para tentar escapar do impeachment.

"Eu não acredito que ela seja capaz. Não adianta procurar alguém. [Michel] Temer não vai, Lula não vai, Renan [Calheiros] não vai. Não tem quem ajude Dilma. Teria de vir dela. Ela precisaria se reinventar, arrumar um caminho", opina.

Sem saída

Nem Lula, nem Dilma. Para David Fleischer, cientista político e professor da UnB (Universidade de Brasília), "ninguém pode salvar Dilma do impeachment".

"O futuro político dela, em princípio, dependia de Lula para livrá-la do impeachment, mas isso já foi escanteado", afirma, levando em consideração o desgaste sofrido pelo ex-presidente com a polêmica em torno do cargo de ministro.

Ele diz acreditar que a presidente não vai ter maioria na comissão nem no plenário da Câmara e que o impedimento é algo quase inevitável.

"Depois que sofrer o impeachment, ela fica inelegível por oito anos, perde o foro privilegiado e pode cair nas mãos do [juiz federal] Sérgio Moro, porque a investigação da Lava Jato vai continuar", prevê. "O futuro dela ficará, então, nas mãos de Sérgio Moro", conclui.

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