Processo de impeachment

Cunha ganha fôlego com avanço do impeachment? Veja opinião de deputados

Ricardo Marchesan

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

"Essa lentidão é inaceitável. Não é possível ficar procrastinando, procrastinando, até que o caso dele [Eduardo Cunha, presidente da Câmara] caia no esquecimento graças ao impeachment, que é o que ele quer."

A fala é do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), durante reunião do Conselho de Ética da Câmara, que analisa o processo de cassação de Cunha, acusado de ter mentido aos demais deputados quando negou ter conta no exterior.

Mais de cinco meses depois de ser protocolado, o processo contra o presidente da Câmara ainda está em fase inicial. Seus adversários afirmam que a demora é consequência de diversas manobras de Cunha e aliados.

Ao mesmo tempo, o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff corre na comissão que o analisa e vai ganhando força, principalmente após a saída do PMDB da base governista.

Para agilizar o desfecho, Cunha têm convocado sessões da Câmara em dias incomuns, na segunda e sexta-feira.

Queda de Dilma ajuda Cunha?

Chico Alencar (PSOL-RJ), membro do Conselho de Ética, acredita que o processo de impeachment da Dilma ajuda o presidente da Câmara. "Para o Eduardo Cunha, esse processo de impeachment agora veio bem a calhar. Ele fica esquecido, fica em segundo plano."

Foi o PSOL, ao lado da Rede, que entrou com a denúncia contra Cunha.

O próprio Alencar afirma, porém, que acelerar o processo de impeachment pode trazer os holofotes novamente ao processo contra Cunha.

"Há quem diga que, consumada essa cassação (de Dilma), ou mesmo o afastamento preliminar da presidente, ele fica de novo vulnerável e mais exposto", diz Alencar. "Há também quem diga que o preço a pagar pela cassação de Dilma será entregar a cabeça de Eduardo Cunha. Muitos dos seus apoiadores agora o largariam na mão."

Deputado com mais mandatos atualmente na Câmara, Miro Teixeira (Rede-RJ) defende que Eduardo Cunha seja afastado da presidência, e não crê que ele fique mais tranquilo com um eventual impeachment de Dilma. "Não vou imaginar que impeachment esteja ajudando ele ou que ele esteja ajudando o impeachment."

Para Teixeira, não há uma divisão tão clara entre os deputados, com um lado a favor de Dilma e outro de Cunha.

"Isso seria chamar 512 deputados de imbecis. Quando você vem para o mundo real, vê que os cantos não estão assim tão separados. Você terá aliados do Eduardo Cunha votando contra impeachment", afirma o deputado, que está na Câmara desde 1971.

José Carlos Araújo (PR-BA), presidente do Conselho de Ética, diz que não é possível traçar paralelo entre os dois processos, e também nega que Cunha ganhe força com o possível impeachment de Dilma.

"Não acho que isso possa acontecer. Nós vamos tocar o Conselho de Ética independente de comissão A, comissão B, impeachment, seja lá o que for. Nós vamos tocar nosso trabalho", diz Araújo.

Manobra X Erro

O presidente do Conselho, porém, tem feito duras críticas à atuação de Cunha nos bastidores, que seriam para dificultar o avanço do processo, e o acusa de tentar um "golpe" e "advogar em causa própria".

Cunha, por sua vez, nega fazer manobras. "O presidente do Conselho de Ética erra propositadamente para se manter na mídia, para que ele seja obrigado a ter as decisões dele revistas e consequentemente se manter na mídia", afirma o presidente da Câmara.

Aliado de Eduardo Cunha, o deputado e vice-presidente da Câmara Waldir Maranhão (PP-MA) afirma que "estratégias" para adiar o processo são normais. "Não diria manobras, [são] estratégias regimentais. [Elas] não estão existindo agora, elas sempre existiram no passado. Vejo isso como natural do mundo político e da casa".

Maranhão também afirma que não há relação entre os dois processos. "Uma coisa não tem nada a ver com a outra, são questões distintas. A Casa haverá de manter o sentimento de separar o joio do trigo", disse. "São agendas independentes. Aí vai da celeridade, do espírito de liderança, de coordenação das duas situações."

O que pensam os deputados que defendem Eduardo Cunha na Câmara?

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