Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Impeachment: Eles são os escudeiros de um lado e do outro

Guilherme Azevedo*

Do UOL, em São Paulo

  • Arte/UOL

    Cena de batalha: À esquerda, os escudeiros pró-impeachment: os deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Pauderney Avelino (DEM-AM) e Antonio Imbassahy (PSDB-BA). À direita, os escudeiros de Dilma Rousseff, contra o impeachment: os deputados federais José Guimarães (PT-CE), Wadih Damous (PT-RJ), Afonso Florence (PT-BA) e Jandira Feghali (PC do B-RJ)

    Cena de batalha: À esquerda, os escudeiros pró-impeachment: os deputados federais Paulinho da Força (SD-SP), Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Pauderney Avelino (DEM-AM) e Antonio Imbassahy (PSDB-BA). À direita, os escudeiros de Dilma Rousseff, contra o impeachment: os deputados federais José Guimarães (PT-CE), Wadih Damous (PT-RJ), Afonso Florence (PT-BA) e Jandira Feghali (PC do B-RJ)

A vitória numa grande batalha depende certamente da astuta estratégia de seus generais e comandantes, mas só se ganha de verdade no campo de batalha, com a entrega apaixonada e gloriosa de seus combatentes miúdos.

Na batalha do impeachment, os generais, ou, no linguajar de Brasília, caciques do governo e da oposição, colocam suas estratégias em movimento por meio de fiéis escudeiros, e deles dependem.

São deputados federais que estão na linha de frente para defender ou atacar o impeachment. E, para isso, usam qualquer expediente no campo de batalha. Estão sempre prontos a falar com jornalistas, sobem à tribuna para discursos inflamados, distribuem informações pelas redes sociais em tempo real e protelam ou não procedimentos, seja na própria comissão do impeachment, ou em outro embate dentro do Congresso Nacional.

Cada um tem seu estilo: uns são mais virulentos, outros são mais polidos.

A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) é um exemplo de fiel escudeira. Um dos seus brados de guerra repete as ruas: "Não vai ter golpe!". Feghali está na comissão especial que analisa o impeachment e se destaca por pedir várias "questões de ordem".

O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD-SP), também integrante da comissão do impeachment, está sempre ao lado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de quem defende a idoneidade e o cargo, e gosta de colocar a questão econômica para atacar a presidente Dilma Rousseff. No 1º de maio do ano passado, ao lado de Cunha, chegou a chamar a presidente de "desgraçada".

Ser fiel escudeiro é tarefa também ingrata e envolve alguns riscos, exatamente pela alta exposição na linha de frente da batalha. Por exemplo, Paulinho da Força foi espinafrado por uma mulher no aeroporto de Brasília, que o chamou de "traidor". Esse escudeiro do impeachment reagiu esquecendo a temperança do "código de honra da cavalaria", alcunhando a mulher de "ladrona".

No dia seguinte foi a vez de a hoste governista provar da indignação popular: o fidelíssimo escudeiro José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, foi recepcionado com vaias, gritos de "Fora, PT", "Fora, cuecão" e uma "chuva" de réplicas de cédulas de dinheiro ao desembarcar no aeroporto de Fortaleza. Respondeu mais tarde em nota, dizendo que o "episódio é mais uma passagem lamentável do atual momento da política brasileira". Ele sempre repete aos quatro ventos, crente ser arauto e paladino da democracia, o brado retumbante: "Todos juntos, contra o golpe e os golpistas. Não vai ter golpe!".

Os escudeiros dos dois lados beligerantes têm outros dotes e armas, que podem surpreender o inimigo, como a habilidade de fazer a coreografia da dancinha da "Metralhadora", sucesso do Carnaval da Bahia. Por isso, se o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) de repente começar a dançar, muito, muito cuidado, olho nele!

Tudo somado, nos resta rogar: escudeiros do (e contra) o impeachment, olhai (cegai?) por nós.

Eles são os escudeiros contra e a favor do impeachment

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Veja também um breve perfil de alguns dos principais escudeiros:

ESCUDEIROS FORA, DILMA!

Antonio Imbassahy (PSDB-BA), líder do PSDB na Câmara, 68 anos

Trunfos: Experiente político, prefeito de Salvador (1997-2005) e governador da Bahia (mai. a dez. 1994). Na segunda legislatura como deputado federal

Brado de guerra: "Afastar constitucionalmente uma presidente que fraudou duas eleições, violou a democracia e que está envolvida em crimes. Tem que sair o quanto antes"

Pauderney Avelino (DEM-AM), líder do Democratas na Câmara, 61 anos

Trunfos: Deputado federal na sexta legislatura. Participou do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992

Brado de guerra: "Ainda cabe à presidente um gesto de grandeza (...), o gesto de grandeza da presidente é renunciar à Presidência da República sem traumas"; "O Brasil tem pressa. O Brasil não aguenta mais a situação que o governo do PT nos trouxe."

Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), integrante da comissão do impeachment, 53 anos

Trunfos: Deputado federal na segunda legislatura.

Brado de guerra: "Podemos fazer muito mais pelo país fora do governo, do que dentro desse governo que aí está."

Paulinho da Força (SD-SP), integrante da comissão do impeachment, 60 anos

Trunfos: Deputado na terceira legislatura e presidente da central sindical Força Sindical

Brado de guerra: "Quem quer essa desgraçada (Dilma) fora levanta os dois braços!"; "O mal do Brasil é a Dilma, não é o Eduardo Cunha (PMDB-RJ, presidente da Câmara). Se tirar o Eduardo Cunha hoje, o Brasil continua lascado como está."

ESCUDEIROS FORA, GOLPE!

José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, 57 anos

Trunfos: Deputado federal na segunda legislatura. Capacidade de mobilização no Nordeste, sobretudo no Ceará

Brado de guerra: "Não há razão nenhuma para esse golpe, e estamos mobilizando o Brasil."

Afonso Florence (PT-BA), líder do PT na Câmara, 55 anos

Trunfos: Segunda legislatura como deputado federal e ministro do Desenvolvimento Agrário (2011-2012)

Brado de guerra: "Identificamos como tarefa primeira derrotar a tentativa de golpe e aprovar as medidas econômicas para a retomada do crescimento."

Wadih Damous (PT-RJ), integrante da comissão do impeachment, 59 anos

Trunfos: Ex-presidente da OAB-RJ, conhece os caminhos e descaminhos da legislação brasileira

Brado de guerra: "Não nos iludamos. O que está em curso hoje aqui no Brasil é um golpe de Estado"; "Golpe de Estado não se assiste de braço cruzado"

Jandira Feghali (PC do B-RJ), integrante da comissão do impeachment, 58 anos

Trunfos: Experiente deputada, na sexta legislatura

Brado de guerra: "Está mais claro que nunca que é preciso defender a democracia e o Estado Democrático de Direito. Qualquer tentativa de impeachment nas condições postas é uma clara ruptura de nosso processo democrático"; "Não vai ter golpe!"

*Colaborou Ricardo Marchesan

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