Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Polícia teme confronto e cria cordão para separar manifestantes no Rio

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Alan Marques/Folhapress

    Muro montado para separar manifestantes com posições políticas divergentes custou R$ 8.000 aos cofres do governo do Distrito Federal. A estrutura metálica estende-se por 1 km

    Muro montado para separar manifestantes com posições políticas divergentes custou R$ 8.000 aos cofres do governo do Distrito Federal. A estrutura metálica estende-se por 1 km

Nos moldes do muro instalado em frente à Câmara, em Brasília, a Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu fazer um cordão de isolamento, com grades e policiais enfileirados, para separar duas manifestações, a favor e contra o processo de impeachment, neste domingo (17), em Copacabana, na zona sul da capital fluminense.

O cordão será montado na altura do posto 3 da orla e delimitará os espaços de cada grupo nas pistas da avenida Atlântica e na areia da praia de Copacabana. A operação vai ter início antes das 9h, quando começará o primeiro ato do dia, contra o impeachment. É o "Furacão 2000 e os 100 mil funkeiros contra o golpe", que ocorrerá até as 13h na região do Leme.

Já o segundo ato, favorável ao impedimento de Dilma, reunirá do outro lado do cordão, nos postos cinco e seis, os movimentos MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem pra Rua. Pelo menos três telões serão instalados para que os participantes possam acompanhar, a partir das 15h, a votação do processo de impeachment na Câmara, prevista para começar uma hora antes. O evento deverá ser encerrado até as 19h.

Durante esta semana, participaram de reuniões líderes dos grupos responsáveis pela mobilização e representantes da PM, da Secretaria de Estado de Segurança e do governo do Estado. A polícia informou que atuará em parceria com a Guarda Municipal, Seop (Secretaria Especial de Ordem Pública) e CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego). O efetivo, no entanto, ainda não foi divulgado.

Os organizadores dos dois eventos estimam que, em função do momento decisivo e do clima de acirramento político, a orla de Copacabana deve ser tomada por grandes multidões. Para a polícia, o cumprimento dos horários combinados é uma prioridade, pois a chance de confusão aumentaria à medida que o público do primeiro protesto permanecesse no local, pouco antes do começo do segundo ato. Haverá um intervalo de duas horas para dispersão.

Telões

Segundo a coordenadora do Vem pra Rua, Adriana Balthazar, os três telões serão instalados na altura da rua Sá Ferreira, perto do hotel Othon, na altura da rua Constante Ramos, nos arredores do hotel Pestana, e na rua altura da rua Figueiredo Magalhães, nas cercanias do hotel Marriott. Ela afirmou ainda que não haverá carro de som e discursos. "Dessa vez, não teremos discurso. A proposta é assistir à votação. As pessoas estarão lá para isso", disse.

Na avaliação do coordenador do MBL, Bernardo Sampaio, o ato centrado na transmissão da votação favorece a rotatividade do público e potencializa o alcance. "Vai ser parado e com telão, mas isso é bom porque a rotatividade das pessoas será maior. A gente acredita que, entre 15h e 19h, milhares de pessoas passarão por Copacabana. Muita gente vai querer parar um segundo para ver como está a votação. No fim das contas, será a principal atração do Rio no domingo."

Já o ato contra o impeachment foi convocado pela Furacão 2000, produtora musical conhecida por organizar e promover os principais bailes funk da cidade e contará com um carro de som. Artistas de funk devem se apresentar ao longo da manifestação, que é apoiada pela Frente Brasil Popular --movimento que reúne partidos de esquerda, centrais sindicais, união de estudantes e movimentos sociais e é a principal articuladora das manifestações contra o impeachment no país. A reportagem do UOL tentou entrar em contato com a Frente Brasil Popular, por e-mail, porém não houve retorno até o fechamento deste texto.

Muro em Brasília

O muro construído para isolar os protestos contra e pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff no domingo (17), na Esplanada dos Ministérios, suscitou opiniões divergentes e debates sobre eficácia e riscos para segurança dos manifestantes. Com a barreira, pretende-se evitar que os grupos rivais tenham contato visual e de proximidade. A estrutura metálica estende-se por um quilômetro, desde o Congresso Nacional até o último dos prédios dos ministérios.

De cada lado do muro, gradis colocados a 40 metros de distância e usados para formar um corredor ocupado pela Polícia Militar. Segundo o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, cachorros também circularão pelo espaço. "É uma área de segurança. Ali ficarão o batalhão de Choque [da PM], a cavalaria, cachorros, o Samu –todo o aparato policial", afirmou Rollemberg.

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