MPF/SP pede investigação de ameaças contra o jornalista Leonardo Sakamoto

Do UOL, em São Paulo

  • Flávio Florido/UOL

O MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo  encaminhou à Polícia Civil, nesta terça-feira (26), ofício para que sejam investigadas ameaças feitas contra o jornalista e blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto, que atua denunciando o trabalho escravo e pela defesa dos direitos humanos.

As mensagens de ódio chegam ao jornalista especialmente no âmbito virtual, algumas delas o ameaçando de morte, e o volume de coações aumentou desde que o jornal mineiro Edição do Brasil publicou uma entrevista falsa na qual ele teria dito que aposentados "são inúteis à sociedade", em janeiro de 2016. Sakamoto desmentiu a publicação, mas a matéria havia se espalhado pela internet e provocou reações indignadas – parte delas, violentas.

"Não quero, com isso, que alguém seja preso", afirmou Leonardo Sakamoto. "Mas aumentou a quantidade de ameaças digitais que sempre recebi após a publicação falsa. Eu já estava comunicando o MPF e, neste momento, achei por bem repassar a situação. Eles resolveram levar à Polícia Civil para verificar quem são essas pessoas que postaram essas aberrações". 

"O que eu quero é que as pessoas parem de fazer isso. Que parem de ameaçar os outros, que reflitam sobre o que estão fazendo. A única forma de isso acontecer é descobrindo quem são essas pessoas. Elas precisam ser denunciadas, é preciso dar transparência ao comportamento delas e responsabilizá-las. Não podem pedir para eu ser esfaqueado, para eu levar tiro por causa das minhas reportagens e das minhas análises", afirma ele, que relata casos em que as mensagens virtuais passaram às ruas na forma de agressões físicas e intimidações. 

O jornalista avalia que vivemos um momento de "adolescência da internet", em que as pessoas a exploram loucamente, e que é hora de repensarmos nossas atitudes nas redes para utilizá-las para o bem.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão Pedro Antonio de Oliveira Machado destaca que o Brasil ainda é um país hostil quando se trata de segurança aos profissionais de imprensa. Ele cita o relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras de 2016, segundo o qual ocupamos a 104ª posição no ranking mundial da liberdade de imprensa, índice formado a partir de critérios como pluralidade e independência da mídia, transparência governamental, marco legal e abusos contra jornalistas.

"O fato é que trabalho com temas que incomodam", prossegue Sakamoto. "A questão do trabalho escravo e do tráfico de pessoas não é só sobre pessoas malvadas, é sobre um sistema econômico que beneficia grandes empresas, grandes produtores rurais, atores internacionais. Quando você denuncia isso, a situação fica complicada".

O jornalista lembra reportagem recente da Folha de S. Paulo que denunciou a movimentação da empresa JBS para promover campanhas de difamação contra ele na internet. E ressalta que, apesar de ser apartidário, há também quem confunda sua atuação em defesa dos direitos humanos com suposta aproximação ao PT (Partido dos Trabalhadores), o que agrava a situação em momento de polarização vivido no Brasil.

"Olha a loucura. Pensam assim: se ele defende direitos humanos, é de esquerda. Se é de esquerda, é petista. Se é petista, é ladrão. Se é ladrão, merece morrer. Essa é a conexão que as pessoas fazem. Sou de esquerda, defendo direitos humanos, mas uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra", conclui. 

Redes sociais: As pessoas estão surtando? (Havana #4)

  •  

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos