Propina bancou viagem de governador de MG aos EUA no Réveillon, segundo MPF

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Fernanda Carvalho/O Tempo/Estadão Conteúdo

    O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT)

    O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT)

O governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT) e a sua mulher Carolina de Oliveira Pereira Pimentel tiveram despesas pessoais e de viagens a passeio pagas com dinheiro de propina, segundo o Ministério Público Federal.

A acusação está relacionada às investigações da operação Acrônimo, que teve o segredo de Justiça suspenso nesta quinta-feira (12), e consta na denúncia oferecida pela procuradora da República Ela Wiecko de Castilho ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). À época, o petista ocupava a pasta de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, no primeiro mandato da presidente afastada Dilma Rousseff.

De acordo com a denúncia da procuradora, dinheiro de propina teria bancado as passagens aéreas de ida e volta de Pimentel e a primeira-dama, entre Guarulhos (SP) e Miami (EUA), no período do Réveillon, entre 28 de dezembro de 2013 e 6 de janeiro de 2014. Pelo documento, a quantia usada para a viagem foi de R$ 44.369.

O casal ainda pagou despesas de R$ 2.530, em 10 de março de 2014, em um hotel do Rio de Janeiro, além de R$ 710 para aluguel de um veículo na cidade. A denúncia diz ainda que dinheiro de propina teria sido usado para pagamento de despesas com hospedagens do casal também em São Paulo e Salvador.

A procuradora relaciona também pagamentos de despesas com deslocamentos aéreos de Fernando e Carolina Pimentel de R$ 24.686, R$ 26.770 e R$ 51.457, respectivamente. Além do pagamento de um cheque de R$ 60.000 às vésperas do Natal, em 22 de dezembro de 2014, emitido em nome de Thais Velloso Couto Pimentel, ex-mulher do governador.

Segundo a procuradora, o dinheiro é proveniente de vantagem indevida recebida de acionistas da Caoa Montadora de Veículos em troca da concessão de benefícios tributários pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior. O esquema gerou cerca de R$ 600 milhões por ano em benefícios para a Caoa.

Os repasses ao governador totalizaram R$ 2 milhões e foram feitos, de acordo com a denúncia, por meio de empresas de Benedito Rodrigues de Oliveira, Bené, também denunciado na Operação Acrônimo. As investigações apontam que Bené recebeu propina para atuar em favor da montadora junto ao ministério.

Outro lado

O advogado de Pimentel Eugênio Pacelli afirmou nesta sexta-feira (13) que a viagem para Miami no Réveillon foi paga por empresas de Bené e que depois o governador reembolsou a quantia. "O valor foi reembolsado. Está na declaração de imposto de renda dele (Pimentel). Ele tem como provar que reembolsou o Bené".

O defensor classificou a denúncia de "fantasiosa". Segundo Pacelli, o documento "mistura" os acontecimentos.

"Um fato diz respeito a duas empresas que estão sendo acusadas de não terem prestado serviço. Isso é um fato. E outro fato é dizer que o dono dessas empresas teria pagado despesas pessoais do governador em uma ou outra viagem. Confundir as duas coisas é um erro monumental", disse.

"O então ministro e hoje governador jamais recebeu qualquer valor da Caoa, nem direta e nem indiretamente, por meio de terceiros. O que a denúncia atribui a ele é ter usado o avião de um empresário de sua amizade, em várias oportunidades", afirmou Pacelli.

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