Processo de impeachment

Na Bahia, Dilma diz que luta contra o "golpe" é luta contra o machismo

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Divulgação

    A presidente afastada, Dilma Rousseff, é cumprimentada na Assembleia Legislativa da Bahia, onde foi homenageada, nesta quinta-feira (16)

    A presidente afastada, Dilma Rousseff, é cumprimentada na Assembleia Legislativa da Bahia, onde foi homenageada, nesta quinta-feira (16)

A presidente afastada Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (16), em discurso durante ato público em defesa da democracia em Salvador (BA), que um dos motivos para a aprovação da abertura do processo de impeachment foi o machismo presente na elite brasileira.

Dilma disse que era vítima desse machismo por meio de inúmeros comentários que recebia e que lia e que lutar contra o "golpe" é lutar contra o machismo. "Esse componente machista não pode ser vista simplesmente contra as mulheres da população do país. Não é assim! Esse componente é o uso indevido de várias características das mulheres contra as mulheres. Vou me explicar, é o seguinte: mulher, ou ela é nervosa, ou ela é dura; ou é irritada, ou é boazinha. Essas visões das mulheres, que tentaram julgar pra mim, essa visão todas nós devemos rejeitar. Não somos como ninguém uma coisa, como ninguém é. Somos várias coisas."

Em abril, Dilma foi capa da revista IstoÉ que citou supostas explosões nervosas da presidente. O título da capa da edição levou a AGU (Advocacia Geral da União) a anunciar ação judicial contra a revista.  

Para a presidente afastada, as mulheres devem comemorar e lutar por ascensões sociais e devem rechaçar rótulos. "Cada uma de nós sabe como é difícil assumir um patamar profissional no trabalho, na família, e eles acham que a mulher tem de ser 'coitadinha'. Mulher não é coitadinha! Mulher cria filhos, ao mesmo tempo trabalha em casa e fora de casa."

Ela ainda voltou a dizer que o golpe tem outros dois motivos: a saída dela para acabar com as investigações da operação Lava Jato e a redução de políticas sociais.

"A ideia é sempre a mesma: a oligarquia desse país, quando não fica satisfeita com as políticas para o povo que estão em andamento, tenta afastar o presidente. Sempre foi assim. Agora só mudaram o método: antes usavam a violência, as armas, os canhões", disse, em comparação ao golpe militar, de 1964.

Dilma também defendeu que o governo, seja ele qual for, deve estreitar laços com a sociedade civil organizada. "A luta passa por fortalecer esses movimentos sociais, ouvir a voz das ruas, porque a voz das ruas é o fator de grande força na luta no nosso país. Nós também vamos conversar todos os parlamentares, mas é muito importante a consciência de que temos que defender a democracia, porque ela faz com um governo saiba o que pode e não pode fazer."

Dilma discursa na Assembleia Legislativa da Bahia

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