Temer alega corte de custos e barra transmissão ao vivo de viagens oficiais

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

O governo de Michel Temer decidiu parar de transmitir ao vivo pela TV estatal NBR os eventos oficiais do presidente interino em viagens a outros Estados. Os eventos em Brasília continuam sendo transmitidos.

A decisão foi atribuída ao corte de gastos públicos, num momento em que o governo assumiu um deficit de R$ 170 bilhões nas contas deste ano.

O custo médio de cada transmissão ao vivo fora de Brasília é de cerca de R$ 300 mil para um evento com duas a três horas de duração, segundo informou o Planalto.

Rudy Trindade - 14.jun.2016/Frame Photo/Estadão Conteúdo
Michel Temer é recebido pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), com o governador em exercício, Francisco Dornelles, e o presidente do COB, Arthur Nuzman, em visita ao Parque Olímpico, no Rio

O presidente interino já fez duas viagens oficiais desde que assumiu a Presidência, em 12 de maio. Em ambas, não houve transmissão pela NBR. O canal público tem a atribuição de divulgar os atos do governo.

Temer visitou obras da Olimpíada, no Rio, no dia 14 desse mês, e participou da inauguração de uma fábrica no Paraná nesta terça-feira (28).

A decisão foi tomada num momento de baixa popularidade de Temer. Pesquisa divulgada este mês aponta que 40,4% dos entrevistados reprovam o desempenho do presidente interino no cargo e a maioria (54,5%) acredita que seu desempenho do seu governo será igual ao da presidente afastada, Dilma Rousseff. 

Beto Barata - 28.jun.2016/PR
O presidente interino, Michel Temer, participa de inauguração da nova fábrica de celulose da Klabin no Paraná

Segundo o Planalto, não há previsão para o retorno da transmissão ao vivo das viagens oficiais.

Veja a nota encaminhada pela assessoria de imprensa do presidente interino:

"Como parte do esforço de contenção de gastos públicos, o governo decidiu suspender as coberturas ao vivo da NBR durante viagens do presidente em exercício Michel Temer. O custo médio de cada transmissão fora de Brasília é de cerca de R$ 300 mil (de 2 a 3 horas de evento). Não há previsão de retorno dessas coberturas. As transmissões ao vivo de eventos no Planalto, em Brasília, continuam normalmente".

A NBR é ligada à EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), criada em 2007 e responsável ou outros veículos públicos de imprensa como os canais TV Brasil, TV Brasil Internacional, Agência Brasil, Radioagência Nacional e o sistema público de rádio, composto por oito emissoras.

O governo interino estuda fechar a TV Brasil, que seria responsável por metade dos custos da EBC. 

A transmissão ao vivo de eventos oficiais era uma constante na gestão da presidente afastada, Dilma Rousseff.

Em 2013, após vídeo do UOL sobre as frequentes interrupções da programação da NBR para transmitir eventos de Dilma, o Planalto chegou a emitir nota afirmando que a NBR tem a obrigação legal de "levar ao público as atividades do Poder Executivo". "A NBR é um canal de TV estatal a cabo e tem como principal finalidade levar ao público as atividades do Poder Executivo. Trata-se de uma obrigação legal, que consta na Lei 12.485/2011, a chamada 'Lei da TV Paga'. Ela prevê que as operadoras de serviço de acesso condicionado deverão oferecer a seus assinantes, sem qualquer custo, 'um canal reservado para a emissora oficial do Poder Executivo" (Art. 32, inciso VI)', dizia a nota à época.

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Em TV estatal, Dilma derrubava a programação a toda hora

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