Processo de impeachment

16 dos 61 que votaram pelo impeachment mantiveram direitos políticos de Dilma

Flávio Costa*

Do UOL, em São Paulo

  • Ueslei Marcelino

    Renan: "E, no Nordeste, costumam dizer uma coisa com a qual eu não concordo: "Além da queda, coice."

    Renan: "E, no Nordeste, costumam dizer uma coisa com a qual eu não concordo: "Além da queda, coice."

Dezesseis dos 61 senadores que votaram a favor do afastamento definitivo de Dilma Rousseff optaram por manter os direitos políticos da presidente cassada. Outros três parlamentares pró-impeachment se abstiveram nessa questão.

O Senado aprovou nesta quarta-feira (31) o impeachment da presidente afastada. Foram 61 votos a favor do impeachment, sete a mais do que os 54 necessários, e 20 contrários. Todos os senadores estiveram presentes; nenhum se absteve. 

Na segunda votação, foram 42 votos a favor da inabilitação de Dilma, 36 contrários e três abstenções. Para que a petista perdesse os direitos, também eram necessários 54 votos.

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Com o resultado, Dilma está afastada definitivamente da Presidência um ano e oito meses depois de assumir seu segundo mandato, mas garante seus direitos políticos. Eleito vice na chapa da petista em 2014, o presidente Michel Temer (PMDB) deixa de ser interino e assume definitivamente o cargo até o fim de 2018.

Impeachment tem o DNA da Constituição, diz Renan

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Entre os que votaram pelo impeachment, mas mantiveram os direitos políticos de Dilma está o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Outros seis peemedebistas seguiram Renan, e outros dois se abstiveram. 

"Afastar a Presidente da República é constitucional. Pode afastar na forma da Constituição e da democracia? Pode, mas não é da Constituição inabilitar a Presidente da República como consequência do seu afastamento, não; essa decisão terá que ser tomada aqui, pelo Plenário do Senado Federal,", afirmou Renan. Ele acrescentou: "E, no Nordeste, costumam dizer uma coisa com a qual eu não concordo: "Além da queda, coice." Nós não podemos deixar de julgar, nós temos que julgar, mas nós não podemos ser maus, desumanos."

A decisão de manter os direitos políticos da presidente Dilma foi motivo para mais um racha na base aliada.  Mais tarde, o secretário de governo da Presidência da República, Geddel Vieira Lima, disse que o PMDB vai subscrever uma ação judicial que vai questionar junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) a decisão do Senado que manteve a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) habilitada a exercer cargos públicos.

Geddel minimizou as declarações de líderes da oposição como Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) que questionaram a posição de senadores do PMDB, partido do presidente Michel Temer, que votaram contra a inabilitação de Dilma. "Já conversei com o PSDB e já conversei com o Democratas, e o PMDB já fez um gesto importante que é subscrever essa ação que vai arguir a constitucionalidade da decisão tomada pelo Senado da República. Não há problema nenhum nisso", afirmou Geddel.

Dilma diz que impeachment é golpe de Estado

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Votaram a favor do impeachment, mas decidiram por manter os direitos políticos de Dilma Rousseff:

Acir Gurgacz - PDT-RO
Antonio Carlos Valadares - PSB-SE
Cidinho Santos - PR-MT
Cristovam Buarque - PPS-DF
Edison Lobão - PMDB-MA
Eduardo Braga - PMDB-AM
Hélio José - PMDB-DF
Jader Barbalho - PMDB-PA
João Alberto Souza - PMDB-MA
Raimundo Lira - PMDB-PB
Renan Calheiros - PMDB-AL
Roberto Rocha - PSB-MA
Rose de Freitas - PMDB-ES
Telmário Mota - PDT-RR
Vicentinho Alves - PR-TO
Wellington Fagundes - PR-MT

Se abstiveram

Eunício Oliveira - PMDB-CE
Maria do Carmo Alves - DEM-SE
Valdir Raupp - PMDB-RO

*Colaborou Leandro Prazeres, de Brasília

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