Processo de impeachment

Polícia indicia 16 pessoas presas antes de protesto contra Temer em SP

Do UOL, em São Paulo

  • Amanda Perobelli/Estadão Conteúdo - 4.set.2016

    PMs usaram jatos d'água e bombas de efeito moral para dispersar manifestantes

    PMs usaram jatos d'água e bombas de efeito moral para dispersar manifestantes

A Polícia Civil indiciou nesta segunda-feira (5) 16 pessoas que foram presas antes do início de uma manifestação realizada ontem, nas regiões central e oeste de São Paulo, contra o presidente Michel Temer.

O grupo foi indiciado por associação criminosa e corrupção de menores pelo Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), informou em nota a Secretaria da Segurança Pública. Segundo a SSP, foram apreendidas com os detidos máscaras e pedras.

A polícia apreendeu também dez adolescentes, que vão responder por ato infracional por associação criminosa. De acordo com a secretaria, com o grupo foram encontrados uma barra de ferro, câmeras, celulares (dois deles roubados), toucas, lenços, máscaras, pedras e estilingues.

Imagens de todo o material apreendido foram divulgadas pela SSP em sua página na internet. As prisões e apreensões ocorreram na região de Pinheiros, na zona oeste.

Divulgação/SSP
A SSP divulgou imagens de materiais apreendidos com os presos, como estilingues, máscaras, toucas, celulares, além de uma barra de ferro e pedras

Defesa

Segundo a defesa dos presos, eles se encontraram à tarde no Centro Cultural Vergueiro para depois seguirem juntos para o protesto que se concentrou na avenida Paulista, na área central, e depois seguiu em direção ao largo da Batata, na zona oeste da capital.

O grupo confirma que estava com máscara de gás, gaze, vinagre e bandanas nas mochilas, mas nega que portava pedras e uma barra de ferro. Eles também negam ser adeptos da tática black block.

Parlamentares, políticos, membros do grupo Advogados Ativistas, além de pais dos adolescentes denunciaram que tiveram dificuldade para ter acesso aos detidos. Eles também se queixaram que os presos e os detidos foram ouvidos sem a presença de seus advogados.

Em entrevista ao site do grupo Jornalistas Livres, o defensor público Marcelo Carneiro Novaes, da vara da infância de Santo André, na Grande São Paulo, disse que foi procurado por parentes de uma adolescente de São Caetano que foi apreendida e levada para o Deic.

"Eu exerço a advocacia desde 1984 e é a primeira vez que vejo um defensor público ou um advogado não pode ingressar num prédio público onde são exercidas as atividades da polícia judiciária", declarou.

Protesto teve 16 pessoas presas e 10 adolescentes detidos

Protesto

A manifestação contra o governo Temer e por eleições diretas acabou com uma dispersão violenta com bombas e jatos d´água e depredação, após uma caminhada pacífica de cerca de quatro horas. O ato reuniu cerca de cem mil pessoas, segundo os organizadores. A PM não divulgou estimativa de público.

Por volta das 21h de ontem, após os manifestantes queimarem um caixão com a foto do presidente, as lideranças começaram a pedir para que todos se dispersassem.

Foi quando policiais militares começaram a soltar bombas de gás lacrimogêneo e jatos d´água, enquanto alguns poucos manifestantes, com os rostos escondidos, jogaram garrafas contra os policiais. A porta de uma agência bancária ficou estilhaçada e algumas lixeiras foram quebradas.

O fotógrafo Maurício Camargo, da Agência Eleven do Rio de Janeiro, foi ferido por uma bala de borracha na perna esquerda. O repórter da BBC Brasil Felipe Souza disse que foi agredido com golpes de cassetete por policiais, mesmo depois de se identificar como jornalista.

Em nota, a SSP afirmou que "após os organizadores encerrarem a manifestação, houve um princípio de tumulto na estação Faria Lima do Metrô, que se transformou em depredação. Vândalos quebraram catracas, colocando em risco funcionários. A Polícia Militar atuou para restabelecer a ordem pública, sendo recebida a pedradas, intervindo com munição química e utilização de jato d'água."

No domingo, o presidente Michel Temer também foi alvo de manifestações no Rio de Janeiro, em Salvador e Curitiba. 

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