Programa de rádio da UFRGS deixa de ir ao ar após convidado citar "golpe"

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    O cientista político Benedito Tadeu Cesar acusa a rádio da UFRGS de censura

    O cientista político Benedito Tadeu Cesar acusa a rádio da UFRGS de censura

Um programa realizado pelos alunos de jornalismo da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) nesta quinta-feira (8) na rádio da Universidade que tinha como entrevistado o cientista político e professor da faculdade Benedito Tadeu César foi vetado e não foi ar depois que o diretor da rádio considerou que a transmissão violava a lei eleitoral. Em seu Facebook, o cientista político criticou a decisão, que considerou um "ato de censura", e disse que a direção alegou que não poderia veicular o programa porque o professor falou em "golpe".

"O diretor da rádio, mal nós terminamos a gravação do programa, entrou no estúdio, violando a autonomia docente, e informando que o programa não iria ao ar pois continha a palavra 'golpe'. Nós questionamos, dizendo que era absurdo, não se fazia nenhuma referência a nenhum candidato. Ele argumentou que se falou em golpe, que não pode chamar nem o PMDB nem o presidente de golpista, que é período eleitoral, o PMDB esta concorrendo às eleições", afirmou o professor ao UOL.

César disse que procurou imediatamente a reitoria da universidade para esclarecer a situação e que foi informado que a direção irá apurar o caso. Segundo o professor, que em seu perfil na rede social se posiciona contra o atual governo, ele comentava a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff no Senado durante o julgamento do impeachment. "O programa abre com uma pergunta em cima da fala da presidenta falando em golpe parlamentar. Explico a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo. Presidencialismo não é assim. Se alegar que houve crime de responsabilidade e não se provar o crime, trata-se de um golpe", afirmou.

De acordo com o diretor da rádio da universidade, André Luis Prytoluk, o veto teve como base a lei eleitoral 9.504, que proíbe as emissoras de rádio e televisão de "veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, a seus órgãos ou representantes". "No programa mencionado foi citado a sigla PMDB e PT, inviabilizando a veiculação. O professor e os alunos caracterizaram como censura. Caracterizo como obediência civil. Me cumpre atender a legislação. Fiquei até surpreso com a reação deles. Se veiculo, somos penalizados. Tenho que zelar pelo veículo. Estou sendo criticado por cumprir a lei", afirmou Prytoluk.

Ele criticou ainda o fato do professor, como cientista político, "desconhecer a legislação". "Não estou me posicionando a favor de nenhum lado. Estou aqui como gestor. Fosse feito fora do período eleitoral não teria problema nenhum."

Procurada pelo UOL, a reitoria da universidade não respondeu até a publicação desta reportagem.

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