Operação Lava Jato

De homem forte do Congresso a prisioneiro: ascensão e queda de Cunha em 2 anos

Do UOL, em São Paulo

  • Adriano Machado/Reuters

    O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

    O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira (19), o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começou sua carreira política há cerca de 30 anos trabalhando em campanhas eleitorais para o PMDB e PDS (atual PP). O auge de sua trajetória foi a eleição para presidência da Câmara dos Deputados, em 2015, destacando-se entre os líderes da campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Em 2014, Cunha já vinha chamando atenção como líder do PMDB na Câmara, quando acirrou a divisão do seu partido ao apoiar o então candidato a presidente Aécio Neves (PSDB-MG).

Economista e radialista, Cunha já foi aliado do então presidente Fernando Collor de Mello e do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho. Nos últimos meses, no entanto, seu poder político foi caindo rapidamente, culminando com sua prisão.

Veja a cronologia da ascensão e queda de Cunha nos últimos dois anos.

Outubro de 2014

Apoio a Aécio

Eduardo Knapp/Folhapress
Depois do apoio em 2014, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) participa de eventos com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), como o evento da Força Sindical no Dia do Trabalho, em 2015

Eduardo Cunha é reeleito deputado federal, sendo o terceiro mais votado do Rio de Janeiro, recebendo mais de 230 mil votos. Com a força das urnas e líder do PMDB na Câmara, Cunha anuncia o apoio no segundo turno ao então candidato a presidente da República Aécio Neves (PSDB) contra presidente Dilma Rousseff (PT) e expõe ainda mais a divisão dentro do seu partido, o PMDB, que participava da chapa da petista com o vice Michel Temer.


Fevereiro de 2015

Eleito presidente da Câmara

"Não seremos submissos", diz novo presidente da Câmara

Cunha é eleito presidente da Câmara dos Deputados com 267 votos dos 513 deputados presentes na primeira sessão legislativa do mandato. O pemedebista derrotou outros três concorrentes, entre eles, o candidato do governo Dilma, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que teve 136 votos.
 

Março de 2015

Forte oposição à Dilma

Ruy Baron/Folhapress
A presidente Dilma Rousseff cumprimenta o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante abertura do ano legislativo no Congresso Nacional, em 2015

Nos primeiros meses de seu mandato como presidente da Câmara, Cunha tenta impor um ritmo de trabalho que se divide em pressionar o governo de Dilma Rousseff e agradar aos deputados apresentando projetos como a autorização do pagamento de passagens aéreas aos cônjuges dos parlamentares, ideia arquivada após a repercussão negativa.

Torna-se réu na Lava Jato

No mesmo mês, Cunha acaba virando o primeiro parlamentar a tornar-se reú da Operação Lava Jato pelo Supremo Tribunal Federal.
 

Outubro de 2015

Na mira do Conselho de Ética

Ricardo Botelho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Deputados mostram cartazes da organização internacional Avaaz, que recebeu 1,3 milhão de assinaturas pedindo a cassação do então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Deputados do PSOL e da Rede pedem ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados a abertura de processo de cassação contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha por quebra de decoro parlamentar. Quarenta e oito deputados apoiaram a representação.

Abril de 2016

No comando do impeachment

Cunha anuncia vitória do "sim", e plenário comemora com hino nacional

Cunha comanda a sessão na Câmara dos Deputados que abre o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, por 367 votos a favor e 137, contra. No dia seguinte, o presidente da Câmara diz que iria trancar a pauta até o Senado votar a cassação de Dilma. "A partir da próxima semana, já temos três medidas provisórias que serão lidas hoje e vão trancar a pauta", disse Cunha, após entregar o processo para o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Maio de 2016

STF suspende mandato
 

ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO
Plenário do STF (Supremo Tribunal Federal)
Por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) decide suspender o mandato do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e afastá-lo da Presidência da Câmara dos Deputados acusado de obstruir investigações contra ele realizadas pela Operação Lava Jato.

Junho de 2016

Abertura de processo de cassação

Pedro Ladeira/Folhapress
A deputada Tia Eron (PRB-BA) relutou, mas acabou votando pela abertura do processo de cassação no Conselho de Ética
O Conselho de Ética aprova, em votação apertada (11 contra 9), o parecer pela abertura do processo de cassação de Eduardo Cunha. Nos meses anteriores, o ex-deputado fez várias manobras para adiar e evitar a votação.

Pedido de prisão

Logo após a suspensão do seu mandato, a Procuradoria da República pede a prisão Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à Justiça Federal do Paraná por corrupção na Petrobras, pela acusação de improbidade administrativa a partir das investigações da Operação Lava Jato. Além da suspensão dos direitos políticos, os procuradores pediram uma indenização de US$ 10 milhões.
 

Julho de 2016

Renúncia à Presidência da Câmara

Eduardo Cunha renuncia à presidência da Câmara e chora em discurso

Pressionado pela Justiça e por seus colegas, Cunha acaba decidindo renunciar da presidência da Câmara. Ao ler sua carta de renúncia, o ex-presidente da Câmara não resiste e chora. "Somente minha renúncia poderá pôr fim a esta instabilidade sem prazo. A Câmara não suportará esperar indefinidamente", disse o deputado.
 

Setembro de 2016

Cassação no plenário

Pedro Ladeira/Folhapress
Cunha acompanha painel de votação durante sessão que cassou seu mandato
Aos gritos de "Fora, Cunha", o ex-presidente da Câmara dos Deputados é cassado por 450 votos a favor, 10 contra e 9 abstenções em 12 de setembro. Em plena segunda-feira, o plenário contou com a presença de 470 deputados. Cunha perde o mandato, o foro privilegiado e fica inelegível até 2027. O ex-deputado culpa o PT pela sua situação.


Remessa de processo a Moro
 

Renato Costa/Folhapress
O ministro do STF Teori Zavascki participa de sessão no STF (Supremo Tribunal Federal)
Dois dias depois, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki autorizou a remessa para a Justiça Federal da ação penal em que Cunha é acusado de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por manter contas na Suíça com dinheiro oriundo de uma suposta operação envolvendo negócios da Petrobras na África. O juiz Sérgio Moro recebe o processo.

Outubro de 2016

Prisão

Reprodução/Globo News
O ex-deputado Eduardo Cunha embarca no avião da Polícia Federal em direção à Curitiba
A Polícia Federal prende Eduardo Cunha a pedido do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Além da prisão, Moro decretou o bloqueio de bens do ex-deputado no valor de R$ 220.677.515,24. Em seu perfil no Facebook, Cunha classificou a decisão de Moro como "absurda". E afirmou que Moro não tem "competência" para prendê-lo.

Veja a trajetória política do ex-deputado federal Eduardo Cunha

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