Operação Lava Jato

Prisão de Cunha mostra que não é só o PT que é corrupto, diz Roberto Romano

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em São Paulo

  • Michael Melo/Metropoles via AP

Com a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Operação Lava Jato, cai por terra a "falsa teoria" de que apenas a esquerda é corrupta e de que as lideranças conservadoras estariam "imunes" à cadeia. É o que afirma o cientista político Roberto Romano, que classifica a decisão do juiz Sergio Moro como um importante avanço na luta contra a corrupção, mas não é a solução.

"Está mais do que provado que corrupção é corrupção, não tem partido muito menos ideologia", afirmou especialista, que acrescentou a importância dos fatos aos petistas.

A ida de Cunha para a cadeia também deve servir de lição para o próprio PT, que sempre se posicionou como o perseguido, para que seja mais crítico aos malfeitos cometidos por sua gestão"

A prisão do peemedebista, segundo o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), possivelmente representa uma hecatombe para muita gente. "Não é por acaso que há muitos políticos, liderados por Renan Calheiros (PMDB-AL), que estão tentando cercear a ação do Ministério Público com o falso discurso de abuso de autoridade, mas com a intenção de legislar contra a Justiça", diz.

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Não é o fim da corrupção

Mas, como destaca Romano, é preciso tomar cuidado para não celebrar um aparentemente "fim da corrupção". "Enquanto Cunha está sendo preso, a arte de subtrair recursos públicos para bolsos privados tem sido colocada em prática a torto e a direita pelo país". Segundo ele, não adianta o país atuar apenas para remediar os danos causados.

"Não basta apenas só enxugar gelo com toalha quente. Isso só tende a aumentar a descrença da sociedade sobre a luta contra a corrupção", aponta o especialista.

Ele defende uma "real federalização do Brasil", com a reorganização dos mecanismos orçamentários, bem como uma mudança na relação entre governo com empresas privadas e uma reconstrução interna nos partidos políticos que delimite que os seus dirigentes assumam a função por no máximo dois anos.

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