Operação Lava Jato

"Se eu fosse advogado de Cunha, diria a ele para delatar", diz Cardozo

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

  • Domingos Tadeu/Agência Brasil

    José Eduardo Cardozo sobre Cunha: "Ele sabe o que lhe espera. Ele é inteligente"

    José Eduardo Cardozo sobre Cunha: "Ele sabe o que lhe espera. Ele é inteligente"

Advogado da ex-presidente Dilma Rousseff durante o processo de impeachment, José Eduardo Cardozo afirma que recomendaria, se fosse defensor de Eduardo Cunha, que o ex-deputado fizesse uma delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato.

"Eu acredito, como advogado, que o único caminho a seguir por Cunha é fazer uma delação premiada, para evitar uma pena muito elevada, para ele e seus familiares", disse Cardozo ao UOL. "Se eu estivesse em uma situação de defendê-lo, não há a menor dúvida que faria esta recomendação".

Cunha teve a prisão preventiva decretada na quinta-feira (19), por ordem do juiz Sergio Morto, da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde tramitam os processos da Lava Jato em primeira instância. Ele se encontra em uma cela da carceragem da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados contratou o advogado Marlus Arns, que atuou no acordo de delação premiada de empresários na  Lava Jato. Após visitar o novo cliente nesta quinta-feira (20), o criminalista afirmou que delação premiada "não foi tema de conversa".

Entenda o que levou Eduardo Cunha à prisão

Para Cardozo, a delação de Cunha é uma questão de tempo. "Cunha é um homem inteligente. Ele sabe o que lhe espera. Considerando o nível de provas que existe contra ele, o conjunto de acusações que o atinge. No meu entender a possibilidade de uma delação premiada acontecer é muito grande", afirma Cardozo.

Tese do golpe

Desafeto de Cunha, com quem teve discussões públicas quando era ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, Cardozo considera que a prisão do ex-deputado reforça a tese da antiga base governista e atual oposição ao governo Temer de que houve um golpe contra a ex-presidente.

"A prisão de Cunha tem relação direta com a conduta dele na perspectiva de criar obstáculos para a Justiça. O processo de impeachment foi mais uma dessas condutas", diz.

Reprodução/Globo News
O ex-deputado Eduardo Cunha embarca no avião da Polícia Federal em direção à Curitiba

"A prisão de Cunha afeta a estabilidade do governo Temer. Cunha é uma pessoa que tinha uma estrita relação com integrantes do governo Temer", acrescentou.

Cardozo disse ainda esperar que uma eventual delação de Cunha possa mudar o rumo dos recursos ao processo de impeachment de Dilma Rousseff no STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Teori Zavascki negou nesta quinta (20) o pedido da ex-presidente para anular o processo de impeachment no Senado.

"Ele não julgou o mérito, ele apenas negou a liminar. Nossos argumentos são os desvios de poder de Eduardo Cunha. Talvez, com uma eventual delação premiada, fique sacramentado o que nós estamos dizendo desde o início".

 

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