Mulher de Cabral se entrega à Justiça no Rio

Gustavo Maia e Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio

  • Luiz Souza/ Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, na sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro

    Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador Sérgio Cabral, na sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro

A advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), se entregou à Justiça na tarde desta terça-feira (6).

O juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, decretou a prisão preventiva da ex-primeira-dama após pedido do Ministério Público Federal por entender que ela recebeu propinas por meio de seu escritório de advocacia e lavou R$ 6,5 milhões mediante a compra de joias.

Com esse tipo de prisão decretada, a ex-primeira-dama não tem prazo para deixar a prisão. Ela deve permanecer detida até seu julgamento ou até que uma outra decisão da Justiça determine sua soltura.

Adriana apresentou-se à sede da 7ª Vara, na zona portuária da capital fluminense, horas depois de a Justiça ordenar sua prisão. Ela chegou ao tribunal acompanhada de advogados e, mais tarde, foi levada à Superintendência da Polícia Federal, na mesma região. À noite, a ex-primeira dama foi conduzida ao IML para passar por um exame de corpo de delito e, depois, foi transferida para a Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo de Bangu. Ela ficará em uma cela individual, em uma galeria destinada a internas com nível superior.

Bretas aceitou a denúncia oferecida pelos procuradores e transformou em réus o casal e outros 11 acusados na Operação Calicute.

Paula Giolito/Folhapress
O ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) foi preso no dia 17 de novembro

Segundo a decisão, o aprofundamento das investigações revelou que ela ocuparia "posição central na organização criminosa capitaneada por seu marido, Sérgio Cabral", que está preso desde o dia 17 de novembro.

Mais cedo, policiais federais tentaram cumprir o mandado de prisão preventiva no apartamento do casal, no Leblon, zona sul do Rio, e no escritório dela, no Centro da cidade. A reportagem ligou para o escritório da ex-primeira dama, que pediu que um e-mail fosse enviado com questionamentos. Até o momento, não houve resposta.

"Adriana Ancelmo seria uma das principais responsáveis por ocultar recursos recebidos indevidamente por seu marido, valendo-se para tal de seu escritório de advocacia, bem como que teria adquirido ilegalmente verdadeira fortuna em joias de altíssimo valor, dentre outros expedientes", relata a determinação judicial.

Bretas afirma ainda que as investigações sugerem, "com base em elementos de prova consistentes", que a advogada "não apenas tinha conhecimento do esquema de pagamento de propina capitaneado por seu marido, como também estaria envolvida diversos episódios de repasse de dinheiro envolvendo pessoas físicas e jurídicas relacionadas com a organização criminosa sob investigação".

Na decisão judicial, Bretas também determinou a apreensão de qualquer valor acima de R$ 30 mil ou US$ 10 mil com a ex-primeira-dama.

Cabral e outros nove acusados já estão presos em Bangu 8, presídio na zona oeste da capital fluminense. Os crimes vão de corrupção passiva e ativa a organização criminosa e lavagem de dinheiro. De acordo com a PF, "serão instaurados ainda outros inquéritos policiais para aprofundamento de novas vertentes da investigação".

Também foram indiciados Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho (ex-secretário de Governo); Carlos Emanuel de Carvalho Miranda (sócio de Cabral na empresa SCF Comunicação e apontado como recebedor de dinheiro sujo); Luiz Carlos Bezerra (ex-assessor da Presidência da Alerj); Hudson Braga (ex-secretário de Obras); Wagner Jordão Garcia (ex-assessor do governador); José Orlando Rabello; Carlos Jardim Borges; Pedros Ramos de Miranda; Luiz Alexandre Igayara; Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves (ex-assessor de Cabral e acusado de ser seu "laranja"); Luiz Paulo dos Reis; Alex Sardinha da Veiga; Rosângela de Oliveira Machado Braga; e Jessica Machado Braga.

Antes de chegarem ao prédio de Adriana, os policiais federais foram ao escritório dela, no Centro da cidade, mas não a encontraram no local.

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