Prefeitos de 5 capitais tomam posse cortando secretarias, mas medida é insuficiente

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    João Doria (PSDB), Rafael Greca (PMN), Alexandre Kalil (PHS), Marcelo Crivella (PRB) e Nelson Marchezan Jr. (PSDB)

    João Doria (PSDB), Rafael Greca (PMN), Alexandre Kalil (PHS), Marcelo Crivella (PRB) e Nelson Marchezan Jr. (PSDB)

Diante da atual crise econômica, os prefeitos eleitos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre miram na redução da quantidade de secretarias. Eles tomam posse neste domingo (1º).

Em geral, essa ação é justificada pelos governos como uma tentativa de enxugar os gastos públicos, mas sua eficácia é questionável.

Para José Roberto Afonso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), diminuir pastas é "um bom começo", mas "diante da gravidade da atual crise fiscal, será necessário muito mais do que isso".

"Em meio à recessão, será preciso fazer mais, prestar muito mais serviços, com menos recursos, pois a arrecadação segue caindo e não há como contratar mais pessoal ou encargos. Hora de melhorar a produtividade do setor público e muito pode ser feito nessa direção", opina.

Movimentos sociais criticaram os cortes porque atingiram pastas que tinham como foco à atenção a minorias, como deficientes e negros.

São Paulo

Dario Oliveira/Código19/Estadão Conteúdo

João Doria (PSDB) tomará posse hoje às 15h, na Câmara. Às 17h, está marcada uma solenidade de transmissão do cargo no Theatro Municipal. Ele foi eleito no primeiro turno, com 53,29% dos votos, derrotando Fernando Haddad (PT), que tentava a reeleição.

A redução no número de secretarias foi uma das promessas de campanha de Doria, que vai diminuir a quantidade de pastas de 27 para 22.

O tucano vai extinguir sete secretarias --entre elas, a de Promoção da Igualdade Racial e a de Políticas para as Mulheres-- e criará outras duas: Tecnologia e Inovação e Desestatização e Parcerias.

Rio de Janeiro

Paula Bianchi/UOL

Marcelo Crivella (PRB) também se comprometeu, durante a campanha eleitoral, a limitar o total de secretarias. Ele tomará posse na Câmara às 10h de hoje, e a transmissão do cargo ocorrerá às 15h. Crivella se elegeu no segundo turno, com 27,78% dos votos, vencendo Marcelo Freixo (PSOL).

Quase dois meses depois de ser eleito, o senador anunciou os nomes de seus 12 secretários. A quantidade é a metade do atual número de pastas da administração municipal.

Crivella vai abolir secretarias como a de Políticas para as Mulheres, de Promoção e Defesa dos Animais, da Pessoa com Deficiência e do Turismo. Algumas foram fundidas, como foi o caso das secretarias de Educação e de Esporte e Lazer, que vão se tornar uma só.

Belo Horizonte

Uarlen Valério/O Tempo/Estadão Conteúdo

No começo de dezembro, quando começou a apresentar os nomes que iriam compor o seu secretariado, Alexandre Kalil (PHS) anunciou a redução do número de pastas. Sua posse será às 14h de hoje, e a transmissão do cargo, às 17h.

Kalil venceu no segundo turno as eleições para a prefeitura da capital mineira, com 52,98% dos votos, contra 47,02% do seu adversário, João Leite (PSDB).

O ex-presidente do Atlético Mineiro quer diminuir o número de secretarias de 22 para 13. Ao menos quatro nomes ligados ao comando do clube vão ocupar cargos do primeiro escalão do governo municipal. O atual presidente do clube mineiro, Daniel Nepomuceno, vai ser o secretário de Desenvolvimento.

Curitiba

Rodrigo Félix/Futura Press/Estadão Conteúdo

Durante a campanha eleitoral, o prefeito eleito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), afirmou que iria diminuir a quantidade de secretarias e de cargos comissionados. Greca toma posse às 16h, e a cerimônia de transmissão do cargo será às 18h. Ele foi eleito no segundo turno, com 53,25% dos votos, derrotando Ney Leprevost (PSD).

Em dezembro, ele anunciou os nomes dos futuros titulares de 12 pastas da administração municipal. Atualmente, a prefeitura da capital paranaense tem 23 secretarias.

Questionado pela reportagem do UOL sobre qual a economia real que a medida vai provocar, ele não soube precisar. "Está sendo avaliado. A prefeitura tem 3.500 funções gratificadas, e nós não vamos preenchê-las. Também se economiza em dinamismo na gestão: é mais fácil falar com 12 pessoas do que com 40", afirmou.

Porto Alegre

Mateus Bruxel/Agência RBS

Dias após vencer as eleições, o prefeito eleito da capital gaúcha, Nelson Marchezan Junior (PSDB), anunciou a redução de 29 para 15 a quantidade de secretarias. Sua posse está marcada para as 15h, na Câmara municipal, e a transmissão do cargo, para as 17h30. O deputado federal se elegeu com 60,5% dos votos, contra Sebastião Melo (PMDB), que teve 39,5%.

Com a diminuição de pastas, Marchezan afirmou que a ideia é reduzir custos e modernizar a máquina pública. Ele, porém, não soube dizer qual será a economia proporcionada pela medida nem quantos cargos serão cortados.

Durante a semana, o novo prefeito de Belo Horizonte admitiu que poderá tomar posse sem ter definido os nomes de todos os titulares das pastas.

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