Lava Jato não foi diferente dos processos que Teori julgou, diz Gilson Dipp

Nivaldo Souza

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Xinhua/Jales Vaquer/Fotoarena/Zumapress

    O ministro Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, morto em acidente na quinta (19)

    O ministro Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, morto em acidente na quinta (19)

A rejeição aos holofotes da vida pública pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, morto nesta quinta-feira (19) em acidente aéreo em Paraty (RJ), é a principal característica lembrada pelo amigo de três décadas Gilson Dipp, ex-ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça). "Como magistrado, ele sempre foi muito ponderado. Nunca foi um juiz de bater boca, sempre muito ponderado", recorda.

Eles se conheceram em 1989, quando integraram o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre, ao lado da ex-presidente do STF Ellen Grace. A amizade continuaria no STJ, onde ocuparam o posto de ministros por quase uma década.

A discrição de Zavascki, na avaliação de Dipp, era necessária para estabelecer o equilíbrio no plenário de um Supremo onde se tem assistido a embates acalorados entre ministros. "Teori talvez fosse o mais equilibrado e dos mais competentes [do STF], e tinha respeito geral. Era um exemplo para todos os outros da postura de um verdadeiro magistrado", considera.

"A Lava Jato não foi diferente"

Para o ex-ministro do STJ, a condução da relatoria da Lava Jato no STF deve ficar como maior legado de Zavascki. Mas pondera que decisões polêmicas com o afastamento do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e a prisão do ex-senador Delcídio do Amaral mantiveram o rigor praticado ao longo da carreira do ministro.

"A Lava Jato não foi diferente de todos processos que ele julgou. Ele sempre o fez com convicção, concorde-se ou não. Tínhamos muita afinidade e posso não ter concordado com algumas decisões, mas nunca duvidei da convicção e da seriedade dele", afirma.

A repreensão pública ao juiz Sérgio Moro no vazamento de conversa telefônica entre então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula é apontado como um capítulo importante da biografia de Zavascki.

O ex-ministro do STJ avalia que Teori deixa legado relevante como relator da Lava Jato no Supremo e que a escolha de um sucessor para sua vaga no STF pelo presidente Michel Temer vai precisar considerar essa atuação.

"Teori deixa para o Supremo um dos maiores legados de todos os tempos e não vai conseguir ser substituído vai ser muito difícil encontrar alguém com a personalidade, a seriedade e o perfil de ministro do Supremo como ele tinha. É uma perda irreparável para o Judiciário, como cidadão e como amigo", diz Dipp.

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