Presidente da Câmara não pode ser "carimbador" do Executivo, diz Figueiredo

Nathan Lopes

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    O deputado federal André Figueiredo (PDT-CE)

    O deputado federal André Figueiredo (PDT-CE)

Candidato da oposição à presidência da Câmara dos Deputados, André Figueiredo (PDT-CE) alfinetou o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), durante seu discurso antes da votação. Ele disse que o novo presidente da Casa não pode ser subserviente ao Poder Executivo.

"O presidente não pode ser instrumento de chantagem, como foi há pouco tempo, mas também não pode ser mero carimbador da vontade do chefe do Executivo como está sendo agora", disse.

A bancada do PT anunciou nesta terça-feira (31) adesão à candidatura do oposicionista André Figueiredo (PDT-CE) à presidência da Câmara. Além do PDT, o candidato conta ainda com o apoio do PCdoB e da Rede. Juntos os partidos somam 90 deputados.

Embora participem da principal legenda de oposição a Temer, petistas chegaram a avaliar apoiar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) com o objetivo de obter cargos na administração da Casa. Venceu, entretanto, a tese de que o partido de Dilma Rousseff não poderia endossar candidatos que integraram o movimento de destituição da petista.

A decisão do PT de apoiar Figueiredo foi anunciada como uma tentativa de "unificar a oposição" ao governo Temer na Casa. "Estamos fazendo um gesto de unidade das forças de oposição, de esquerda", afirmou o líder do PT, Carlos Zarattini (SP).

Em seu discurso, Figueiredo defendeu que as pautas sejam mensais e previamente estabelecidas para evitar votações de última hora. "Não podemos admitir o que aconteceu nos últimos seis meses. Que uma ligação do chefe do Executivo determine a mudança na pauta do dia seguinte", afirmou.

Ele criticou a falta de transparência nas votações. "Cabe a nós votarmos temas importantes, mas não neste afogadilho", afirmou. "Queremos essa casa verdadeiramente transparente em seus processos de votação".

Figueiredo também criticou a falta de participação feminina na Casa e elogiou a candidatura de Luiza Erundina (PSOL-SP). "Nossa Câmara não pode ser o espelho do que é o governo federal em termos de representação feminina", afirmou.

Ele encerrou seu discurso citando um trecho da música "Maria, Maria" de Milton Nascimento. "Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida", afirmou.

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