Supremo não seria pra mim, diz Moro nos EUA sobre indicação para o STF

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução

    Moro durante evento na Universidade Columbia

    Moro durante evento na Universidade Columbia

Durante participação em evento na Universidade Columbia, em Nova York, o juiz Sérgio Moro disse que uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) "não seria para ele". A fala foi dita no mesmo dia em que rumores dão conta de que o presidente Michel Temer decidiu indicar o nome de Alexandre de Morais, atual ministro da Justiça, para ocupar a vaga deixada por Teori Zavascki, morto após a queda de um avião no último dia 19.

"A Suprema Corte não seria para mim e não acho que eu seria escolhido", afirmou. O evento foi organizado para discutir os efeitos da Operação Lava Jato no Brasil e continua nesta terça-feira (6). Ele deve contar ainda com a participação de Carmen Lúcia, presidente do STF.

Lava Jato não é política

Ao ser questionado sobre a Operação Lava Jato fazer parte de uma estratégia política, o juiz Moro rebateu e disse que relação entre a investigação e política é natural, já que as evidências trazem o envolvimento de vários políticos em esquemas de corrupção.

"Alguns críticos reclamam que Lava Jato é política. Um crime que envolve políticos é quase inevitável que se tenha consequências políticas. Os juízes não têm controle disso. As empresas têm que fazer a sua lição de casa", declarou.

"Para ser honesto, o processo judicial é só uma consequência. Não podemos nos tornar cegos a esses crimes. Respeito que discordem, mas a Lava Jato não é de uma mão só."

Moro ainda afirmou que não teve qualquer participação no impeachment de Dilma Rousseff. Na época do afastamento da ex-presidente, críticos defenderam que Sérgio Moro interferiu no processo político.

"Não sinto nenhuma responsabilidade pelo impeachment. Eu somente fiz meu trabalho", disse.

Evidências públicas

Durante conversa com os presentes, Moro considerou a Operação Lava Jato um fato importante na luta contra os esquemas de corrupção envolvendo o setor público.

Ele ainda fez questão de ressaltar a importância de tornar públicas informações sobre a investigação. Para ele, a Justiça não pode esconder nenhuma evidência. "E não é para manipular a opinião pública, mas para prevenir [que os investigados tentem manipular as evidências]. Quando a investigação terminar, tudo será conduzido à luz do sol", disse.

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