Delatores da Odebrecht depõem por 5 horas ao TSE em ação que pode cassar Temer

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • Ueslei Marcelino-14.mar.2012/Reuters

Na terceira rodada de depoimentos de delatores da Odebrecht à Justiça Eleitoral, três ex-executivos da empreiteira falaram nesta segunda-feira (6) por cerca de cinco horas ao ministro Herman Benjamin, relator no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da ação que apura possíveis irregularidades na chapa Dilma/Temer na eleição de 2014 e que pode cassar o mandato do atual presidente da República.

Foram ouvidos os ex-executivos Cláudio Melo Filho, Alexandrino Alencar e Hilberto Mascarenhas da Silva Filho. Os depoentes e seus advogados chegaram e saíram sem falar com a imprensa.

Melo Filho é o executivo da empresa que, segundo o jornal O Estado de São Paulo, revelou em seu acordo de colaboração com a Operação Lava Jato ter jantado com o presidente Temer e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil, PMDB-RS) no palácio do Jaburu, em 2014. Do encontro, segundo Melo Filho, resultou uma promessa de R$ 10 milhões ao PMDB.

Já Alexandrino Alencar era um dos executivos da empreiteira responsável pela relação da Odebrecht com o mundo político. Hildebrando, por sua vez, é apontado como responsável pelo departamento da empreiteira que organizava os repasses a políticos, conhecido como setor de Operações Estruturadas.

O ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, foi o primeiro a depor, na semana passada, em Curitiba, onde está preso por decisão do juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância da Justiça.

Em seguida, na quinta-feira (2), foram ouvidos os ex-executivos Benedicto Barbosa da Silva Junior e Fernando Reis, em audiência realizada no Rio de Janeiro.

Os depoimentos desta segunda-feira foram realizados na sede do TSE, em Brasília. Os três ex-executivos foram ouvidos separadamente. Antes de cada depoimento, eles foram mantidos afastados, em salas diferentes do TSE. As audiências foram realizadas no Salão Nobre da Corregedoria do tribunal. 

O que o TSE está julgando é um pedido de cassação da chapa que reelegeu Dilma e Temer em 2014. O PSDB, partido adversário naquela eleição, moveu a ação acusando a campanha de Dilma de ter cometido abuso de poder econômico e político na campanha. Um dos pontos da acusação é o de que dinheiro do esquema de corrupção descoberto na Petrobras teria irrigado a campanha.

Após o impeachment da presidente Dilma, o PSDB passou a integrar o governo do PMDB de Michel Temer, vice alçado ao comando do Palácio do Planalto.

DEPOIMENTOS SOB SIGILO

O ministro Herman Benjamin quer saber da empreiteira se houve doações irregulares para a campanha que reelegeu a presidente Dilma Rousseff e Michel Temer como seu vice.

O conteúdo dos depoimentos está sob sigilo. A versão oficial só será divulgada pelo TSE após o STF (Supremo Tribunal Federal) liberar o conteúdo das 77 delações de ex-executivos da Odebrecht, homologadas pela Justiça em janeiro.

Segundo reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo", Marcelo teria afirmado que 4/5 de um total de R$ 150 milhões (ou seja, R$ 120 milhões) destinados pelo grupo para a campanha da chapa Dilma/Temer em 2014 foram pagos por meio de caixa 2.

Caixa 2 é como são conhecidos os repasses a campanhas que não são declarados na prestação de contas oficial à Justiça Eleitoral. A prática é ilegal.

Em seu depoimento, segundo reportagem do jornal "Folha de S.Paulo", Marcelo Odebrecht teria afirmado que recebeu um pedido de doação de Temer, em jantar na residência oficial do então vice-presidente, mas que no encontro não foram acertados valores.

Os últimos depoimentos agendados da ação vão ocorrer na quarta-feira (8), em São Paulo. Serão ouvidos o ex-executivo da Odebrecht Luiz Eduardo da Rocha Soares e Beckembauer Rivelino de Alencar Braga, que não tem ligação com a empreiteira e vai depor sobre suspeitas de pagamentos irregulares a gráficas que prestaram serviços à campanha.

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