Alvo de Janot, Padilha recebe alta e volta a Brasília no final de semana

Flávio Ilha

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Pedro Ladeira/Folhapress/15.mar.2017

    Eliseu Padilha

    Eliseu Padilha

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, recebeu alta na manhã desta quarta-feira (8) do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, onde se submeteu a uma cirurgia para a retirada da próstata no último dia 27 de fevereiro. A cirurgia transcorreu sem intercorrências, mas a recuperação demorou mais do que o previsto inicialmente pela equipe médica.

O procedimento foi realizado pelos médicos Claudio Telöken e Nilton Brandão da Silva, ambos professores da Fundação Universidade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre. Padilha, que entrou em licença médica no dia 22, ficou 18 dias internado.

Padilha deveria retornar a Brasília para reassumir suas funções no dia 6 de março, mas a licença foi estendida até a próxima segunda-feira (13). Segundo a assessoria do ministro, ele deve retornar à Capital Federal no final de semana.

A permanência de Padilha no governo, entretanto, é incerta devido ao pedido de investigação que deverá ser encaminhado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro. Em fevereiro, o ex-assessor especial da Presidência, José Yunes, disse em depoimento à Procuradoria que foi usado como "mula" pelo ministro, em setembro de 2014, para intermediar a transferência de um pacote do doleiro Lúcio Funaro. O pacote teria uma parte não especificada de um pagamento de R$ 10 milhões cobrados pelo então vice-presidente Michel Temer da construtora Odebrecht, para a campanha eleitoral de 2014.

A mesma versão constaria da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho. Yunes, que depôs espontaneamente à PGR, afirmou também que está disposto a participar de uma acareação com Padilha para esclarecer o suposto repasse de dinheiro da Odebrecht para campanhas eleitorais do PMDB. Um depoimento de Padilha precisaria de autorização do STF, já que o ministro tem foro privilegiado. O conteúdo do depoimento, no entanto, está sob sigilo. A versão oficial só será divulgada após o STF (Supremo Tribunal Federal) liberar o conteúdo das 77 delações de ex-executivos da Odebrecht, homologadas pela Justiça em janeiro.

Ainda em fevereiro, o procurador-geral Rodrigo Janot já havia remetido ao STF pedido de autorização para investigar Padilha por crime ambiental no balneário de Dunas Altas, no Rio Grande do Sul. A Girassol Reflorestamento e Imobiliária, empresa da qual Padilha é sócio, é suspeita de abrir um canal de drenagem irregular na área. A intervenção foi realizada em 2014.

No dia 20 de fevereiro, Padilha passou mal e teve de ser internado no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, para tratar de uma obstrução urinária. O diagnóstico foi de hiperplasia prostática, ou seja, aumento da próstata.

Em novembro do ano passado, Padilha já havia sido atendido pelo serviço médico do Palácio do Planalto devido a um pico de pressão que o deixou afastado do cargo por dois dias. Exames não constataram problemas cardíacos. Em setembro, o ministro também registrou alta na pressão arterial, com licença médica de cinco dias.

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