Operação Lava Jato

Não é uma delação qualquer que vai parar o país, diz Temer sobre Odebrecht

Do UOL, em São Paulo

O presidente Michel Temer (PMDB) disse, em entrevista exibida na noite desta segunda-feira (17) no telejornal "SBT Brasil", que "uma delação qualquer" não pode parar o país.

Na semana passada, o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de investigações sobre diversos políticos com base nas delações premiadas de ex-executivos do grupo Odebrecht, que tiveram o sigilo suspenso.

"O Brasil não vai parar. O Brasil tem instituições sólidas", afirmou. "Não vamos deixar que uma delação qualquer paralise o país. O Brasil precisa de reformas."

Oito ministros do governo Temer estão sendo investigados. O presidente é citado por delatores, mas, segundo a Constituição, não pode ser alvo de inquéritos por atos alheios ao seu mandato.

Delator descreve reunião sobre propina com Temer

"Fui saber o nome dele agora"

Temer voltou a minimizar a acusação de Márcio Faria, ex-executivo da Odebrecht, de que o presidente participou de uma reunião em 2010 para "abençoar" o pagamento de US$ 40 milhões em propina ao PMDB, referente a um contrato da empresa com a Petrobras.

Em nota divulgada na semana passada, Temer disse que "jamais tratou de valores com o senhor Márcio Faria" e que a "narrativa está baseada em uma mentira absoluta".

Na entrevista ao "SBT Brasil", o presidente chegou a dizer que sequer sabia o nome de Faria.

"Aliás, fui saber o nome dele agora. Confesso que nunca me preocupei em saber o nome dele e não sabia."

Desejo de felicidade a Cunha

Temer também disse estar despreocupado sobre ser citado em uma eventual delação premiada do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba e condenado a 15 anos de prisão.

Curiosamente, o presidente disse esperar que Cunha "seja muito feliz" e possa se explicar sobre seus "eventuais problemas".

"Eu não sei o que ele pretende fazer. Eu não estou preocupado como o que ele venha a fazer. Eu espero que ele seja muito feliz, espero que ele se justifique em relação a todos os eventuais problemas que tenha tido. Acho que ele foi um deputado, devo dizer, muito atuante, muito eficiente no exercício da legislatura. Mas não sei o que ele vai fazer. Também não devo me preocupar com isso."

Mudanças na reforma da Previdência

Temer ainda falou sobre mudanças na proposta de reforma da Previdência enviada ao Congresso pelo governo. Segundo o presidente, o tempo de contribuição necessário para o trabalhador receber 100% da aposentadoria deve cair para 40 anos, nove a menos que a proposta original.

"Acabou aquela história de precisar de 49 anos para precisar se aposentar", disse.

O presidente também disse não ser "improvável" o estabelecimento de "um tempo de contribuição um pouco menor para as mulheres". Na proposta do governo, homens e mulheres deveriam contribuir pelo mesmo tempo à Previdência.

Questionado sobre a realização de uma reforma política, Temer defendeu o uso do voto distrital a partir da eleição de 2022 e se disse contrário ao que chamou de "eliminação traumática" de partidos por meio da cláusula de barreira.

O presidente se disse favorável ao uso de uma "federação eleitoral", na qual legendas disputariam a eleição juntas e teriam que se manter unidas durante o mandato.

"É muito provável que esses seis, sete partidos, na próxima eleição, se convertam em um só."

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