Alckmin diz que "foi bom perder" para Lula e que está mais "preparado" para ser presidente

Do UOL, em São Paulo*

  • Divulgação/Governo de SP

    Evento de Alckmin com empresários em um hotel da zona sul de SP foi fechado à imprensa

    Evento de Alckmin com empresários em um hotel da zona sul de SP foi fechado à imprensa

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta terça-feira (18), em evento fechado na capital paulista, que "foi até bom perder" a disputa pela Presidência para o então candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2006, porque isso o teria tornado mais "preparado" à disputa presidencial de 2018.

Alckmin participou de um fórum com executivos de empresas espanholas parceiras da agência de notícias EFE, da Espanha, com escritório no Brasil. Divulgado semana passada às redações como um "café da manhã" aberto à imprensa e no qual o tucano faria uma "avaliação do cenário conjuntural do país", com tempo "para perguntas dos jornalistas", a agência informou hoje, em nota, que o café da manhã com o governador "foi cancelado pela assessoria do Governo". "No entanto, Alckmin se encontrou em um fórum interno com empresas espanholas para estreitar relacionamento e negócios entre São Paulo e Espanha".

"Perdi as eleições de 2006, mas até foi bom, porque não estava tão preparado como estou hoje", disse Alckmin em entrevista à agência. O tucano, no entanto, atribuiu uma eventual candidatura às eleições presidenciais de 2018 a uma "decisão coletiva" de seu partido, o PSDB.

O governador também declarou que, antes de pensar em uma corrida presidencial, a "primeira tarefa é fazer um bom governo" em São Paulo, o que, segundo ele, "é fácil em tempos de bonança", diferente do atual cenário econômico nacional.

"Fui candidato em 2006 e perdi para Lula, mas era o Lula presidente da República com o PT no auge. Eu tive que renunciar ao governo de São Paulo nove meses antes, e o outro (Lula) disputou no cargo com o Brasil e a economia crescendo", argumentou, ao lembrar da disputa.

Alckmin enalteceu o próprio desempenho em sua primeira eleição à Presidência, lembrando que venceu no Sul e em São Paulo, mas perdeu no Sudeste. No entanto, avaliou que sua possível candidatura "é uma decisão que não é pessoal, é coletiva", e que confia "muito no julgamento popular ". 

Datafolha de dezembro

Na última pesquisa Datafolha, publicada em dezembro passado --antes, portanto, da divulgação das delações da Odebrecht --, em que a ex-senadora Marina Silva (Rede) apareceu liderando os cenários de segundo turno da eleição presidencial de 2018, Lula teve crescimento nas simulações de primeiro turno na comparação com o levantamento anterior do instituto, feito em junho.

Na pesquisa, os cenários de segundo turno mostraram que, contra adversários do PSDB, Lula oscilou positivamente e teria pequena vantagem numérica em disputas contra Alckmin, o chanceler José Serra (PSDB-SP) ou o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Nas três situações, o quadro é de empate técnico, pois a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. 

Tucano aparece nas delações da Odebrecht

Citado nas delações da Odebrecht, o governador paulista é citado por delatores como beneficiário de pagamentos no valor de R$ 10,7 milhões em caixa dois, que saíram do departamento de propina da Odebrecht.

No acordo de delação homologado pelo STF, um cunhado de Alckmin, o empresário Adhemar Cesar Ribeiro, irmão da primeira-dama paulista, Lu Alckmin, é citado como o nome que teria recebido "pessoalmente parte desses valores".

Segundo a delação, R$ 2 milhões foram aplicados na campanha do tucano ao Palácio dos Bandeirantes em 2010, e o restante, na de 2014, "todas somas não contabilizadas", ou seja, caixa dois. Fachin mandou para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) as citações dos delatores feitas sobre Alckmin e oito governadores.

O tucano nega as acusações e diz que "jamais" pediu recursos irregulares nem autorizou que o fizessem em seu nome. "Sempre exigi que minhas campanhas fossem feitas dentro da lei", afirmou Alckmin, semana passada.

No conteúdo divulgado pela agência EFE, não há relatos de declaração de Alckmin sobre o conteúdo da delação.

Efeito João Doria

Indagado sobre a ascensão do prefeito de São Paulo, seu correligionário no PSDB e afilhado político, João Dória, no cenário político nacional, Alckmin enfatizou o apoio que deu ao empresário na disputa municipal.

"Eu o apoiei para ser prefeito de São Paulo, e como médico, tenho olho clínico. Havia um cansaço (na sociedade), eram necessários novos nomes. Por isso, defendo as primárias (módulo de eleições internas de um partido) para escolher um candidato. Sem primária, Doria não teria sido prefeito, nem (Barack) Obama presidente dos Estados Unidos", comparou. "Ele está fazendo uma grande administração em São Paulo, inovadora, dando um sentido de pertinência", disse.

* Com informações da Agência Efe

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