Operação Lava Jato

Okamotto nega que propina para a OAS tenha bancado acervo de Lula

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Zanone Fraissat - 16.jun.2015/Folhapress

    Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, em foto de 2015

    Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, em foto de 2015

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, disse nesta quinta (4) em depoimento ao juiz Sergio Moro que o armazenamento do acervo do ex-presidente não foi pago pela construtora OAS como parte de um acerto de propina.

"Isso não fez parte de nenhum acerto. Eu acredito que isso foi uma contribuição de uma empresa que apoia um projeto cultural, histórico, como muitas empresas fazem hoje em dia", afirmou.

Okamotto e Lula são réus na ação da Operação Lava Jato que investiga se o ex-presidente recebeu como vantagens indevidas da OAS um apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, e o armazenamento do acervo acumulado durante seus anos na Presidência.

De acordo com a denúncia oferecida pelo MPF (Ministério Público Federal) e aceita por Moro, o presidente do Instituto Lula seria o responsável por receber a vantagem indevida caracterizada pelo pagamento da OAS pelo armazenamento de bens de Lula. Okamotto pediu orçamento à transportadora Granero, e as despesas foram pagas pela OAS.

"Não cuidei do contrato"

Questionado por Moro se os pagamentos da OAS à Granero foram contabilizados de alguma forma pelo Instituto Lula, Okamotto disse que isso não ocorreu.

"Podia ter sido contabilizado como apoio indireto, mas como quem pagava era a OAS e quem recebia era a Granero, nós fomos apenas beneficiários. Como o material que está no Banco do Brasil", disse, em menção ao fato de que parte do acervo presidencial de Lula está em uma agência do Banco do Brasil em São Paulo. 

O MPF (Ministério Público Federal), representado pelos procuradores Julio Carlos Noronha e Roberson Pozzobon, perguntou a Okamotto se o objeto do contrato de armazenamento da Granero com a OAS era mesmo a "armazenagem de materiais de escritório e mobiliário corporativo de propriedade da construtora OAS Ltda.", como estava descrito no documento.

"Eu não cuidei do contrato. Eu só cuidei da informação de que a OAS iria nos apoiar", respondeu Okamotto. "Não dei nenhuma orientação, não pedi para fazer desse jeito."

Léo Pinheiro "deu azar"

Segundo dados do processo, o contrato da OAS com a Granero foi assinado em 2011 e rescindido em abril de 2016. Com isso, os bens de Lula foram levados para a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

De acordo com Okamotto, o plano original era manter o acervo no sindicato dos metalúrgicos, mas em 2011 não haveria espaço para tanto devido a uma reforma só concluída em 2015. Por isso, o presidente do Instituto Lula afirmou que perguntou a Léo Pinheiro se ele tinha um local para guardar o acervo. O ex-presidente da OAS respondeu que alugava um espaço da Granero, e que poderia ajudar temporariamente.

O presidente do instituto Lula disse aos procuradores que a entidade arrecadou mais de R$ 5 milhões nos anos de 2012 e 2013, com arrecadações inferiores nos anos seguintes. A despesa mensal com o armazenamento do acervo era de cerca de R$ 25 mil. Okamotto disse não ter oferecido à OAS o ressarcimento pelas despesas, nem ter procurado outro empresário para cobrir as despesas.

"Deu azar de o dr. Léo ter sido o primeiro empresário que eu achei. Se eu tivesse achado outro empresário, teria pedido", disse Okamotto. 

Questionado pelo MPF, Okamotto disse não saber o que significavam as indicações "praia" e "sítio" encontradas em caixas do acervo presidencial que estão no sindicato dos metalúrgicos. Ele também negou ainda que sabia de alguma reserva de apartamento tríplex para Lula no Guarujá.

De acordo com o advogado de Okamotto, Fernando Fernandes, o presidente do Instituto Lula esclareceu a "inexistência de qualquer crime relacionado a manutenção do acervo presidencial". Segundo ele, "o juiz Sergio Moro tem todos os elementos para absolvição quanto a esta acusação despropositada, que já conta com parecer da Procuradoria da República para o trancamento da ação".

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