Para defesa de Lula, Ricardo Pessoa afasta envolvimento do ex-presidente em cartel

Do UOL, em São Paulo

  • Alan Marques/ Folhapress

    Ricardo Pessoa, dono da UTC

    Ricardo Pessoa, dono da UTC

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, afastou na tarde desta segunda-feira (8) o envolvimento de Lula no esquema do cartel que combinava licitações da Petrobras e fazia o pagamento de propinas a políticos e partidos. Pessoa e o engenheiro Marcos Berti, ligado à Toyo Setal, também investigada na operação, depuseram hoje ao juiz Sergio Moro como testemunhas de acusação em processo contra o ex-presidente na Justiça Federal no Paraná. 

"O Ministério Público Federal sequer indagou o ex-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, sobre suposta participação de Lula", diz a nota dos advogados do ex-presidente.
 
Ao final da manifestação da procuradora Isabel Cristina Groba Vieira, Moro perguntou a Pessoa se ele havia tratado de propinas com Lula ou com o ex-ministro Antonio Palocci. O ex-executivo negou. Para a defesa de Lula, "Pessoa afastou qualquer envolvimento do ex-presidente, dizendo que jamais teve contato com ele em relação aos atos discutidos no processo", afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins em nota.
 
A ação penal tem Lula como um dos principais réus. Ele é acusado de receber o terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula por meio de propina. A denúncia diz ainda que o dinheiro de propina também foi usado para comprar um apartamento vizinho à cobertura onde mora o ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP), que é alugado pela família de Lula. Na avaliação dos investigadores, a operação foi realizada para ocultar o verdadeiro dono do apartamento, que seria Lula.
 
No depoimento, Pessoa voltou a dizer que os pagamentos de propina eram feitos porque eram forçados. "Éramos incitados a colaborar tanto para o Partido Progressista (PP), através do diretor Paulo Roberto, [José] Janene e depois ficou a cargo de Alberto Yousseff. E na diretoria de Serviços, uma parte ficava dentro da 'casa', dentro da própria companhia, com [Pedro] Barusco, [Renato] Duque e [João] Vaccari, que ia para o Partido dos Trabalhadores [PT]. Por que se pagava isso? Porque éramos cobrados."
 
Já o engenheiro Marcos Berti, ligado à Toyo Setal, falou sobre fatos relacionados a combinações de preços para as licitações da Petrobras. "Existia uma lista de projetos da Petrobras e nessas reuniões a gente discutia qual empresa seria eleita para ganhar a concorrência", declarou. Existiam 16 empresas que integravam o grupo para divisão de obras, entre elas a Odebrecht, Andrade Gutierrez, UTC, Setal, Queiroz Galvão e outras, de acordo com o delator.
 

Denúncia

Segundo o MPF, o petista teria recebido propina da empreiteira por intermédio do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci --também réu na ação, junto a Marcelo Odebrecht e a outras cinco pessoas.

Os procuradores afirmam que parte do dinheiro foi usado para comprar um terreno, que seria usado para a construção de uma sede do Instituto Lula (R$ 12,4 milhões).

A denúncia diz ainda que o dinheiro de propina também foi usado para comprar um apartamento vizinho à cobertura onde mora o ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP), que é alugado pela família de Lula. Na avaliação dos investigadores, a operação foi realizada para ocultar o verdadeiro dono do apartamento, que seria Lula.

Lula responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mais sete pessoas são rés nesse processo, entre elas o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e o ex-presidente da OAS, José Aldemário Filho.

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