Operação Lava Jato

Executiva do PT se reúne em Curitiba e diz que Lula "só chega amanhã"

Janaina Garcia*

Do UOL, em Curitiba

Assim como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deve chegar a Curitiba nesta quarta-feira (10), a poucas horas de ser interrogatório pelo juiz da 13ª Vara Federal, Sergio Moro. A informação foi divulgada nesta tarde por caciques petistas que participam de uma reunião da executiva nacional do partido em um hotel da área central da capital paranaense.

A reunião teve início por volta das 14h e é fechada. Dela, deverão sair tanto a data de posse da nova executiva, no congresso nacional do PT, mês que vem, como uma nota sobre a atual conjuntura política, na qual Lula volta ao centro da atenção da Lava Jato por conta do primeiro interrogatório presencial a Moro.

Lula prestará depoimento a partir das 14h, na condição de réu, na ação penal em que é acusado de ter recebido propina da OAS, no âmbito do esquema de corrupção em contratos da Petrobras. Segundo a denúncia, Lula teria recebido da empreiteira um tríplex no Guarujá (SP), além do pagamento do armazenamento de bens recebidos durante sua passagem pela Presidência da República (2003-2010). O ex-presidente nega as acusações.

Segundo o senador Humberto Costa (PT-PE), líder da minoria no Senado, apesar de a reunião de hoje ter como pano de fundo o congresso do partido, em junho, a data marcada considerou a presença de Lula na cidade. No entanto, o parlamentar negou que o petista participe de ato amanhã no final do dia, com a militância, após a agenda perante Moro.

"A reunião foi definida para hoje em função da data, de ele [Lula} estar presente –mas Lula não quer dar a ideia de que será uma agenda política: vem como se fosse qualquer depoimento", afirmou, sem saber se o petista solicitou escolta.

De acordo com o deputado Carlos Zarattini (SP), líder do PT na Câmara, a ideia é que os parlamentares do partido acompanhem Lula amanhã até onde for possível –por conta das barreiras impostas pelas autoridades de segurança do Estado e da prefeitura na região do fórum. "Tentaremos chegar o mais perto possível do Fórum Federal", afirmou.

Para o secretário-geral do partido, Romeno Pereira, o ex-presidente não deverá falar à militância após o interrogatório por orientação de seus advogados. Os grupos pró-Lula, vindos de diferentes regiões do Estado e do país, terão de ficar na praça Santos Andrade, no centro, por determinação da prefeitura após reunião com os movimentos. "Lula não quer dar essa leitura política –vai levar mais em consideração a posição dos advogados que a posição política", declarou Pereira.

Em entrevista ao UOL, mais cedo, o presidente do PT no Paraná, deputado federal Ênio Verri, afirmara que "Lula não dorme em Curitiba, só chega mesmo amanhã". Verri, entretanto, disse que o ex-presidente falaria com a militância no centro em seguida.

Entre os presentes à reunião estão ainda a líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o presidente estadual do PT em SP, Emídio de Souza, e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Até amanhã, deverão vir ainda à cidade os senadores Fátima Bezerra (PB), José Pimentel (CE) e Regina Souza (PI).

Também no hotel, a assessoria do Instituto Lula afirmou que o ex-presidente só chega amanhã e que "ele não tem agenda prevista para depois do interrogatório".

Após a reunião de hoje, ao menos parte dos membros da Executiva deverá seguir a um ato ecumênico organizado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular em frente à Catedral Metropolitana de Curitiba, na praça Tiradentes (centro).

* Colaborou Flávio Costa, em Curitiba

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