Operação Lava Jato

Não existe vazamento em relação a ações penais da Lava Jato, diz Moro a Lula

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

Umas das principais críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no interrogatório desta quarta-feira (10), dentro de um dos processos no qual é réu na Operação Lava Jato, foi rebatida pelo juiz Sergio Moro, responsável pela ação na primeira instância. Lula disse que informações sobre as investigações são repassadas para a imprensa. "Não existe vazamento em relação a essas ações penais", afirmou Moro na audiência realizada na Justiça Federal em Curitiba.

De acordo com o ex-presidente, "jornalistas sabem do que vai acontecer [na Lava Jato] um dia antes". "E meus advogados precisam implorar aqui para saber [conteúdo de acusações]", disse.

"Há o interesse de vazar, doutor Moro, porque esse julgamento tem que ser pela imprensa", acredita Lula, apontando que veículos de comunicação fizeram da Lava Jato "sua principal notícia". "E eles estão com dificuldade: como é que isso vai acabar se esse tal de Lula for inocente? Como é que nós vamos prestar contas aos nossos telespectadores, aos nossos ouvintes?"

Moro, porém, ressaltou a Lula que as acusações do MPF (Ministério Público Federal) são públicas. "Senhor presidente, tem uma acusação, essa acusação é pública. Essa acusação, pela constituição e pelas leis, não tem como manter sigilo sobre ela".

O ex-presidente é acusado de ter recebido, em 2009, propina da empreiteira OAS por meio da reserva e reforma de um tríplex no edifício Solaris, no Guarujá, município do litoral de São Paulo.

Lula também responde pelo armazenamento de bens depois que ele deixou a Presidência, entre 2011 e 2016. O petista governou o Brasil por dois mandatos seguidos, entre 2003 e 2010. O valor total da vantagem indevida seria de R$ 3,7 milhões, como contrapartida por três contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras, segundo o MPF (Ministério Público Federal).

Além desse processo, Lula é réu em outros quatro processos, sendo um também sob responsabilidade de Moro.

Confira a íntegra das alegações finais do ex-presidente a Moro

Criminalização via imprensa

As considerações finais do ex-presidente duraram pouco mais de 15 minutos após quase cinco horas de depoimento. Ele usou esse espaço, no qual fez referência aos vazamentos, para criticar a imprensa.

"Na medida em que foi feito um acordo de que não é possível, na Lava Jato, condenar pessoas ou políticos importantes ou pessoas ricas sem o apoio da imprensa, adotou-se a política de, primeiro, a imprensa criminalizar", disse Lula.

O petista, então, apresentou um levantamento sobre reportagens negativas a seu respeito que foram publicadas em jornais e revistas e exibidas em emissoras de televisão. "E eu acho que o objetivo é tentar massacrar esse cidadão. Esse cidadão cometeu o erro de provar que esse país pode dar certo", comentou.

"Mas é imperdoável o processo de perseguição. Eu confesso que esperava que houvesse mais respeito por um homem que deu a este país a dignidade que ele não tinha há muito tempo, dignidade ao Ministério Público, à Polícia Federal, às instituições de Justiça", disse Lula.

Para o ex-presidente, ele sofre críticas da imprensa por não ser respeitado. "Se não fosse o Lula ser o que ele é, nenhum brasileiro aguentaria 10% do que eu estou aguentando. O que eu quero é que se tenha respeito comigo. Se eu cometi um crime, provem que eu cometi um crime".

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