Análise: Sem Lula, PT não tem 'peça de reposição' para 2018

Do UOL, em São Paulo

Se Lula for condenado pelo juiz Sergio Moro --e por uma segunda instância no Judiciário--, o PT não tem substituto para voltar ao Palácio do Planalto em 2018, segundo o blogueiro do UOL Josias de Souza e o cientista político Carlos Melo. A análise foi feita nesta quarta-feira (10), após a divulgação dos vídeos do depoimento do ex-presidente em Curitiba.

"O PT não tem 'peça de reposição' para 2018, vai ter que fabricar alguma coisa", opina Josias.

Para Melo, uma possibilidade está fora do PT: "Dificuldade grande, porque [esse substituto] não vai poder ser qualquer coisa. O candidato que venha a substituir Lula no caso de condenação ou prisão, não pode ser muito tranquilo. A tendência é vir com os decibéis lá em cima, com grau de contundência e agressividade muito grande. O PT vai ter de encontrar isso nos seus quadros, mas talvez nem esteja dentro do PT. Eu me refiro a Ciro Gomes [PDT]".

Líder na pesquisa mais recente do Datafolha, com 30% das intenções de voto, Lula deverá usar o agravamento da crise econômica no governo Temer caso consiga se candidatar, segundo o cientista político.

"A radicalização e o agravamento da economia, do desemprego e a questão da segurança pública, além do 'recall' de que no tempo do Lula tinha emprego e distribuição de renda, podem favorecê-lo. O maior aliado do Lula e o agravamento das condições econômicas e sociais do país", analisa Melo.

Na opinião deles, o eleitor que não é de direita nem de esquerda está "órfão" de representantes por causa das denúncias da Operação Lava Jato, que atingiram os principais líderes do PSDB.

"Falta alguém no centro. Está órfão quem estaria mais próximo do PSDB. Com essa razia que a Lava Jato promoveu, nem se sabe quem vai ser candidato. Está se falando em [João] Doria", afirma Josias de Souza. Ele também chama a atenção para o crescimento do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) nas pesquisas --ele saltou de 9% para 15% no Datafolha e aparece em segundo lugar. "É inacreditável a projeção que Bolsonaro ganhou."

"Se o candidato for Doria, continua faltando alguém ao centro. O centro está vazio. O prefeito de São Paulo tem o perfil muito mais de centro-direita, conservador, muito demarcadamente anti-PT, mais contundente contra Lula", diz Melo.

"Se não tem Lula, Doria fica deslocado. Há setores do PSDB mais históricos que tentam recriar o discurso antigo da social-democracia e conquistar setores da esquerda e do centro. O PSDB precisa se resolver, porque não sabemos o que vai ser de Serra e Aécio [investigados pela Lava Jato no STF]."

Analisando a passagem de Lula por Curitiba, eles dizem que o petista teve atitudes diferentes na sala de audiência, diante de Moro, e após o depoimento, em discurso que fez na praça na praça Santos Andrade, em frente à UFPR (Universidade Federal do Paraná).

"Lula foi uma pessoa dentro da sala de audiência, com negativas, monossilábico, e outra, mais emocional, diante de militantes petistas. Esse Lula emocional, que joga para 2018, talvez seja inviabilizado pelo julgamento. O tempo vai dizer, mas Moro costuma ser rápido, então logo saberemos se vem condenação", afirma Josias de Souza.

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