Justiça aceita denúncia e Cabral vira réu pela oitava vez

Do UOL, no Rio

  • Reprodução de vídeo

A Justiça Federal do Rio aceitou a oitava denúncia contra o ex-governador do Estado Sérgio Cabral (PMDB) no escopo da operação Lava Jato.

Na manhã desta quarta-feira (16), o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra o governador, aceita pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas. Ao todo, Cabral é réu em sete processos no Rio e um em Curitiba.

Segundo a Procuradoria, o grupo chefiado por Cabral teria recebido mais de R$ 16 milhões em propina somente na área da saúde. Os repassem teriam sido pagos em 35 parcelas "mensais e regulares", de entre R$ 400 ou R$ 500 mil entre 2007 e 2014.

Além de Cabral, tornaram-se réus o ex-secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, além dos investigados César Romero, Carlos Miranda, Carlos Bezerra, Miguel Iskin e Gustavo Estellita. 

"Isso é o que foi apurado até agora. Sabemos que a quantia é muito maior". "É só a ponta do iceberg da corrupção na área da saúde do Estado do Rio de Janeiro", afirmou o procurador da República José Augusto Vagos.

O ex-governador está preso desde novembro. O inquérito faz parte da Operação Fatura Exposta, realizada em 11 de abril desse ano. Essa ação realizada pela PF é um desdobramento de uma outra investigação, a da Operação Calicute, que levou Cabral à prisão, em novembro do ano passado.

O MPF informou ter identificado o "modus operandi" da organização criminosa chefiada por Cabral, que cobrava 5% sobre todos os contratos firmados pelo Estado. Na saúde, o esquema seria operado por Côrtes e por Romero, ex-secretário e subsecretário da pasta.

A dupla atuava, de acordo com a denúncia, para direcionar as licitações de serviços e equipamentos médicos a um cartel organizado pelos empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, sócios nas empresas Oscar Iskin Ltda. e Sheriff Serviços e Participações.

Os empresários seriam os responsáveis por trazer ao país as empresas estrangeiras que participavam das licitações internacionais, que eram divulgadas apenas no Brasil. As empresas se articulavam entre si, fazendo um rodízio que privilegiava cada uma delas por vez. Em função do arranjo, os envolvidos sabiam quanto cada empresa cobraria pelos produtos antes mesmo de sair a cotação do pregão internacional.

Miranda e Bezerra eram os encarregados de distribuir a propina paga pelos empresários, em um total de mais de R$ 16,2 milhões, cálculos feitos sobre os manuscritos contábeis da organização.

Além de Cabral, o ex-secretário e o subsecretário também recebiam, respectivamente, 2% e 1% sobre os valores dos contratos da saúde. Os pagamentos eram recebidos e repassados pelos operadores mensalmente e variavam entre R$ 400 mil e R$ 500 mil, de acordo com o MPF.

Ao UOL, o escritório Fragoso Advogados, que defende Cabral no processo, informou que o cliente só vai se manifestar quando estiver em Juízo. A reportagem ainda não conseguiu contato com os advogados dos demais acusados.

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