Temer cancela agenda e diz a parlamentares que "não vai cair"

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    24.abr.2017 - O presidente Michel Temer

    24.abr.2017 - O presidente Michel Temer

O presidente, Michel Temer, acaba de cancelar sua agenda oficial para esta quinta-feira (18). Segundo a assessoria do Planalto, não houve cancelamento, mas, sim, "alteração" --o presidente se dedicará a "despachos internos" em vez de manter reuniões durante todo o dia com parlamentares.

Conforme o UOL apurou, assessores próximos ao presidente se reuniram para avaliar se Temer fará pronunciamento em rede nacional defendendo-se das acusações de que teria dado aval para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Temer tentou manter a normalidade dos trabalhos no gabinete. Chegou antes das 8h no Palácio do Planalto e cumpriu o primeiro compromisso político com a bancada do Acre no Congresso.

Reunião no Planalto

A um grupo de parlamentares Temer afirmou que não irá deixar o cargo. "Não vou cair", disse Temer, segundo relato feito à Reuters pelo senador Sérgio Petecão (PSD), coordenador da bancada do Acre no Congresso que cumpriu agenda com o presidente na manhã de hoje.

Essa expressão, conforme o senador, foi repetida várias vezes durante a conversa com os parlamentares.

Para um assessor do Planalto, o momento é de esperar a revelação do áudio em que Temer teria dado aval à compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

Segundo o interlocutor, membros do governo e da própria base aliada não podem "tomar ações precipitadas", como entregar cargos ou se colocar a favor de um eventual impeachment.

"Agora é analisar, ver como fica e qual o tamanho dessa crise toda. Mas, o fato é que nenhuma solução será boa para o governo. O governo vai perder de qualquer maneira", avaliou.

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  • http://noticias.uol.com.br/enquetes/2017/05/18/na-sua-opiniao-o-que-vai-acontecer-com-o-governo-temer.js

Núcleo duro sai em defesa do governo

Os ministros do chamado "núcleo duro" do presidente Michel Temer gravaram vídeos para as redes sociais na madrugada desta quinta-feira, 18, fazendo a defesa do governo e dizendo que o País não pode parar.

A estratégia foi usada para rebater as acusações de que Temer teria dado aval para compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conforme acusou o executivo da JBS, Joesley Batista, em sua delação premiada.

Os vídeos foram gravadas por volta das 1h30 desta quinta-feira no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer. O presidente, que na quarta se manifestou por nota negando a versão do empresário, ainda não gravou, mas, segundo fontes do Planalto, o fará "no momento oportuno".

Compra do silêncio de Cunha

Joesley Batista, dono da JBS, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) que o presidente Michel Temer (PMDB) deu aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornal "O Globo" nesta quarta-feira (17).

Temer ouviu do empresário Joesley Batista, da JBS, que ele estava dando a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, um dos operadores da Operação Lava Jato, mesada para que eles se mantivessem calados. O presidente, segundo o empresário, responde: "Tem que manter isso, viu?"

Ainda de acordo com o jornal, a conversa entre Joesley e Temer teria acontecido no dia 7 de março no Palácio do Jaburu. O empresário teria gravado a conversa com um gravador escondido. A filmagem do pagamento de propina faz parte do que se costuma chamar de ação controlada, forma excepcional de investigação policial.

O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou, em nota divulgada pelo Palácio do Planalto na noite desta quarta-feira (17), que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha" e negou ter participado ou autorizado "qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

O comunicado foi divulgado horas após a publicação de reportagem do jornal "O Globo".

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Temer confirmou a aliados que havia sabido da mesada a Cunha e que não havia apresentado objeção.

*Com informações da Reuters

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