Em delação, dono da JBS diz que Temer pediu primeira propina em 2010

Do UOL, em São Paulo

  • Pedro Ladeira/Folhapress

Em um dos anexos da delação que fez à PGR (Procuradoria Geral da República), Joesley Batista, um dos donos da JBS, apontou pedidos de pagamento de propina feitos pelo presidente Michel Temer (PMDB) nas campanhas eleitorais de 2010 e de 2012.

O trecho da delação --que ainda está sob sigilo-- foi divulgado pelo site "O Antagonista". No documento, Batista relatou que conheceu Temer em 2010 por intermédio de Wagner Rossi, ministro da Agricultura do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Rossi, então, se apresentou como afilhado político de Temer.

"JB [Joesley Batista] e Temer trocaram, então, telefones celulares e passaram a manter relacionamento por interesses em comum", aponta a delação de Joesley.

Na delação, o empresário relatou ao menos 20 encontros com Temer. "Ora nesse escritório [de Temer, em São Paulo], em seu escritório de advocacia, ora na sua residência, ora ainda no palácio do Jaburu".

De acordo com o documento, em 2010, "atendendo a um primeiro pedido de Temer", um dos donos da JBS pagou "R$ 3 milhões em propinas", sendo R$ 1 milhão por meio de doação oficial e R$ 2 milhões para a empresa Pública Comunicações, com notas fiscais. Na ocasião, Temer disputou sua primeira eleição como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT).

Ainda em 2010, Joesley relata o pagamento de R$ 240 mil à empresa Ilha Produções, também com o registro em notas fiscais.

Na tarde de ontem, em pronunciamento, Temer negou as acusações de que teria dado aval para que Joesley comprasse o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e disse que não irá renunciar. "Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro".

Outro pedido

A campanha de Gabriel Chalita, então no PMDB --hoje, o político está no PDT--, à Prefeitura de São Paulo em 2012 também foi usada para pagamento de contribuições, segundo Joesley. Temer teria solicitado R$ 3 milhões.

"Os valores foram pagos por meio de caixa dois, mediante diversas notas fiscais", aponta a delação.

"O relacionamento de JB e Temer estreitou-se a partir de então, ficando claro para JB que o então vice-presidente operava, além de Wagner Rossi, em aliança com Geddel Vieira Lima, Moreira Franco, Eduardo Cunha, entre outros".

Entenda as acusações

Ontem, Supremo autorizou a abertura de inquérito contra TemerA decisão foi tomada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte. O pedido foi feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Ainda não se sabe por quais suspeitas de crime o presidente será investigado, pois nem o despacho do ministro nem o pedido da PGR foram tornados públicos.

A base do pedido de abertura do inquérito é a conversa gravada entre Temer e Joesley Batista, um dos donos da JBS. Batista entregou à PGR a gravação do diálogo que teve com Temer, durante um encontro realizado no dia 7 de março no Palácio do Jaburu. 

Entre as suspeitas relacionadas à conduta de Temer estão a de que ele deu aval para que Joesley continuasse comprando o silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O áudio, porém, não é conclusivo quanto a esse ponto. Pode haver mais trechos ainda não divulgados.

Em outro trecho da conversa, fica claro que o presidente sabia que o grupo J&F havia infiltrado um procurador da República nas investigações contra o grupo que tramitam na Justiça Federal. Mais adiante, os dois interlocutores discutem a redução da taxa básica de juros.

Veja a íntegra do pronunciamento de Temer: 'não renunciarei'

 

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