Filho de Cabral usa post patrocinado em rede social para se defender: "Jamais recebi propina"

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ) pagou Facebook para ampliar visibilidade de post e atingir maior número de visualizações

    Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ) pagou Facebook para ampliar visibilidade de post e atingir maior número de visualizações

O filho do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), o deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB-RJ), usou um post patrocinado no Facebook para divulgar sua defesa após reportagem apontar que seu nome teria sido citado em delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Na ocasião, a coluna do jornalista Lauro Jardim, de "O Globo", informou que o filho de Cabral teria recebido propina em favor do pai. Posteriormente, constatou-se que não havia menção a Marco Antônio nos acordos de colaboração premiada firmados pelos representantes da JBS. O jornal pediu desculpas pelo erro.

O recurso utilizado pela equipe do deputado é conhecido como "Facebook Ads". Com essa ferramenta publicitária, é possível "impulsionar" uma publicação e alcançar maior número de visualizações. O valor dos anúncios é definido pelo próprio Facebook, com base em sistema de leilão. A rede social leva em conta o potencial de cliques e de impressões (número de vezes em que o anúncio é mostrado), e o anunciante define o orçamento a ser aplicado. Quanto maior o investimento, maior o número de visualizações.

No caso do parlamentar, a publicação patrocinada tem um vídeo de 53 segundos, no qual Marco Antônio nega ter sido citado nas delações da JBS. "Jamais encontrei o senhor Joesley Batista e jamais recebi propina do senhor Joesley Batista, do grupo JBS ou de quem quer que seja. Eu, Marco Antônio Cabral, não estou na delação do grupo JBS."

"Infelizmente, isso foi veiculado na mídia de forma mentirosa. Portanto, eu tenho esse dever, porque tenho cargo público de deputado federal outorgado por 119.584 eleitores. Venho aqui hoje com muita serenidade e tranquilidade, mas com firmeza reafirmar que jamais recebi propina em minha vida e que jamais estive em reunião com o senhor Joesley Batista", completa.

Uso vedado durante eleições

A utilização do Facebook Ads no meio político não é ilegal, apesar de não ser bem vista por procuradores durante o período eleitoral. Somente durante as campanhas, explica o chefe do Ministério Público Eleitoral do Rio de Janeiro, Sidney Madruga, há vedação em relação ao uso da ferramenta. As multas podem variar de R$ 5.000 a R$ 30 mil.

No entanto, a avaliação referente ao conteúdo das publicações, isto é, se configuram ou não crime eleitoral, depende da interpretação da Procuradoria.

"Nós já temos hoje, inclusive, algumas propagandas eleitorais e ações de marketing político antecipadas [o próximo pleito ocorrerá apenas em outubro do no ano que vem]. Já ajuizamos alguns procedimentos junto ao Tribunal Regional Eleitoral por conta do uso de publicações pagas no Facebook. Não é incomum", disse.

Madruga ressalta, por outro lado, que o vídeo do filho de Cabral teria uma finalidade específica: a de se defender para o seu eleitorado. Por esse motivo, ele diz não identificar desvio de conduta. "Trata-se de uma defesa, e não necessariamente um pedido de voto. Se fosse qualquer espécie de propaganda política, mesmo implícita, existiria, sim, irregularidade."

Ao UOL, a assessoria de Marco Antônio Cabral reafirmou a mesma posição que ele já havia divulgado em relação ao conteúdo da reportagem da semana passada. O parlamentar voltou a negar ter participado de reuniões com os delatores da JBS e, mais uma vez, negou ter recebido propina. Quanto ao post patrocinado, Marco Antônio afirmou que, "diante da repercussão causada pela veiculação de uma notícia inverídica, usei a minha rede social para divulgar o  posicionamento. O post foi patrocinado no Facebook para impulsionar o alcance e fazer com que a verdade chegasse às pessoas que me acompanham nessa rede social".

Ex-governador é citado em delação

As delações da JBS, que se tornaram públicas na última sexta-feira (19), indicam que o ex-governador Sérgio Cabral negociou com a empresa propina para a campanha do atual chefe do Executivo, Luiz Fernando Pezão (PMDB), ex-vice na gestão Cabral, para o governo do Estado, em 2014.

Cabral teria exigido da JBS entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, mas acabou levando R$ 27,5 milhões, de acordo com o depoimento de Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da companhia.

Em troca, a JBS assumiu, sem custos, segundo o delator, uma fábrica inutilizada da BR Foods de 400 mil m² em Piraí, no interior do Rio. Ele afirma que foram R$ 20 milhões de propinas 'dissimuladas em doações oficiais' e mais R$ 7,5 milhões em espécie, supostamente entregues ao ex-secretário de Obras do Estado Hudson Braga.

Cabral e Braga, investigados no âmbito da Operação Lava Jato, foram presos preventivamente pela Polícia Federal no complexo penitenciário de Bangu, zona oeste carioca. A defesa do ex-governador informa que ele só vai se manifestar na Justiça.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o governador informou que "todas as doações da campanha foram feitas de acordo com a Justiça Eleitoral".

O UOL não conseguiu contato com os advogados de Braga.

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