Em jantar com empresários, Temer não menciona crise política e exalta reformas

Do UOL, em Brasília

  • Beto Barata/PR

    Temer fez discurso otimista sem mencionar a crise política

    Temer fez discurso otimista sem mencionar a crise política

Durante jantar com empresários brasileiros e estrangeiros na noite desta segunda-feira (29), o presidente Michel Temer (PMDB) deixou de fora de seu discurso a crise política da qual é protagonista há quase duas semanas e declarou que seu governo continuará "empenhado" em aprovar as reformas da Previdência e trabalhista.

O encontro, em um hotel de São Paulo, deu início às atividades do FIB (Fórum de Investimentos Brasil) 2017, que terá abertura oficial na manhã desta terça-feira (30) com palestra do próprio presidente. Esse foi o primeiro evento programado por Temer desde que se tornou alvo de inquérito autorizado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que vai apurar se ele cometeu os crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.

O fórum vai receber 1.400 executivos e investidores de mais de 42 países e 22 setores da economia, até a próxima quarta (31).

Em quase seis minutos de fala, Temer disse não querer antecipar o que dirá amanhã, mas exaltou as reformas em tramitação no Congresso, que segundo ele "modernizam nossa economia". "E, por isso, nós não deixaremos de trilhar o caminho que pré-traçamos", declarou.

"Os senhores sabem que há um ano nós começamos uma travessia [...] e nós já avançamos muito, não é? Nós estamos fazendo o que não se fazia neste país há mais de 20 anos. E agora nós estamos completando a travessia", discursou o presidente.

Temer afirmou ainda que o setor privado desempenha "um papel essencial" no desenvolvimento do país, o que justificaria "a determinação em aprimorar o ambiente de negócios".

"Muitas e muitas vezes eu vejo correntes políticas que querem o combate ao desemprego, mas não querem o prestigiamento da iniciativa privada. E aí, eu mesmo me pergunto a mim mesmo: como é que nós podemos combater o desemprego se não incentivarmos a indústria, o comércio, o setor de serviço, o agronegócio".

"Desafios acidentais"

Apesar de destacar "o sucesso extraordinário do que fizemos até agora" e dizer que "tudo é comemoração", em referência aos aplausos recebidos durante seu discurso, Temer reconheceu que ainda há desafios "acidentais".

"Nós sabemos, e todos sabemos aqui, não vamos ignorar este fato, que os desafios ainda são muitos, mas nós não tenhamos dúvida: o Brasil é muito maior do que todos esses desafios circunstanciais, acidentais, que ocorrem nos últimos tempos", declarou.

Isso não o impediu, no entanto, de "transmitir uma mensagem de otimismo" aos empresários. "O Brasil está de volta. A inflação está sob controle, nós criamos condições para a redução responsável dos juros e a economia voltou a crescer, o emprego começa a recuperar-se. E deixamos para trás, meus senhores e minhas senhoras, a maior recessão da história brasileira".

Investigado

O inquérito aberto pelo STF contra Temer, que também inclui o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), teve como base as delações dos executivos do grupo JBS, entre eles o empresário Joesley Batista, que gravou conversas com eles.
 
Aceito pelo ministro Edson Fachin, relator dos casos ligados à Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), o pedido, assinado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta que Joesley apresentou elementos como prova que indicam a possível prática de crimes.
 
Em nota, o Palácio do Planalto alega inocência de Temer. "A acusação não procede e o diálogo do presidente com o empresário Joesley prova isso." O próprio presidente também já negou repetidas vezes ter cometido crimes.

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